domingo, 22 de novembro de 2009

Mr.Tim Burton

inaugurou hoje no Museum of Modern Art de Nova Iorque (MoMA) uma exposição sobre este senhor:



realizador,



(Eduardo Mãos de Tesoura



e Nightmare Before Christmas, são os meus preferidos)

poeta e ilustrador,

THE GIRL WITH MANY EYES



One day in the park
I had quite a surprise.
I met a girl
who had many eyes.

She was really quite pretty
(and also quite shocking!)
and I noticed she had a mouth,
so we ended up talking.

We talked about flowers,
and her poetry classes,
and the problems she'd have
if she ever wore glasses.

It's great to now a girl
who has so many eyes,
but you really get wet
when she breaks down and cries.



Tim Burton vai ter em exposição mais de 700 dos seus trabalhos, em variados suportes, a documentar 30 anos de lucidez e de frenesim criativo que não deixam ninguém indiferente. Até 26 de Abril de 2010.


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

casa de sonhos



Deborah Curtis e Gavin Turk são os fundadores desta casa de contos de fadas para crianças e adultos, onde se aposta na criação de espaços imaginativos e em experiências educativas muito festivas.



a quem os procurar oferecem
poções, feitiços e balões
(encontrado aqui)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

silenciosas, as mães


(img. Isabelle Arsenault)


No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.

Herberto Helder
A Faca não corta o fogo

terça-feira, 10 de novembro de 2009

lugar que me falta


(img. Isabelle Arsenault)

Perda

Não há dor maior
do que aquela de perder-te
nem na cor há mais cor
que nos teus olhos

Nem na cidade
saudade que se invente
que seja mais saudade
que aquela de não ver-te

Maria Teresa Horta

domingo, 8 de novembro de 2009

impossibilidades


Coisas que não há que há

Uma coisa que me põe triste

é que não exista o que não existe.

(Se é que não existe, e isto é que existe!)

Há tantas coisas bonitas que não há:

coisas que não há, gente que não há,

bichos que já houve e já não há,

livros por ler, coisas por ver,

feitos desfeitos, outros feitos por fazer,

pessoas tão boas ainda por nascer

e outras que morreram há tanto tempo!

Tantas lembranças de que não me lembro,

sítios que não sei, invenções que não invento,

gente de vidro e de vento, países por achar,

paisagens, plantas, jardins de ar,

tudo o que eu nem posso imaginar

porque se o imaginasse já existia

embora num sítio onde só eu ia...

Manuel António Pina

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

estado puro



há já uns tempos que queria mostrar por aqui um recanto do trabalho da ilustradora Beatriz Martin Vidal, a série Birdchildren. o traço, a leveza da cor e a quietude destas crianças revelam caminhos de liberdade.






tal qual o sonho valente destoutro menino:

O Poeta Aprendiz
Ele era um menino
Valente e caprino
Um pequeno infante
Sadio e grimpante
Anos tinha dez
E asas nos pés
Com chumbo e bodoque
Era plic e ploc
O olhar verde gaio
Parecia um raio
Para tangerina
Pião ou menina
Seu corpo moreno
Vivia correndo
Pulava no escuro
Não importa que muro
Saltava de anjo
Melhor que marmanjo
E dava o mergulho
Sem fazer barulho
Em bola de meia
Jogando de meia-direita ou de ponta
Passava da conta
De tanto driblar
Vinicius de Morais

terça-feira, 3 de novembro de 2009

vivant!


img. daqui

"O Mundo começou sem o homem e acabará sem ele. As instituições, os costumes e os hábitos que eu teria passado a vida a inventariar e a compreender são uma eflorescência passageira de uma criação em relação à qual não possuem qualquer sentido senão talvez o de permitir à humanidade desempenhar o seu papel. Longe de ser este papel a marcar-lhe um lugar independente e de ser o esforço do homem – mesmo condenado – a opor-se em vão a uma degradação universal, ele próprio aparece como uma máquina, talvez mais aperfeiçoada que as outras, trabalhando no sentido da desagregação de uma ordem original e precipitando uma matéria poderosamente organizada na direcção de uma inércia sempre maior e que será um dia definitiva. Desde que ele começou a respirar e a alimentar-se até à invenção dos engenhos atómicos e termonucleares, passando pela descoberta do fogo – e excepto quando se reproduz -, o homem não fez mais do que dissociar alegremente biliões de estruturas para reduzi-las a um estado em que elas já não são susceptíveis de integração. Sem dúvida, ele construiu cidades e cultivou campos; mas, quando pensamos neles, estes objectos são, eles próprios, máquinas destinadas a produzirem inércia a um ritmo e numa proporção infinitamente mais elevada que a quantidade de organização que implicam. Quanto às criações do espírito humano, o seu sentido não existe senão em relação a ele, e elas confundir-se-ão com a desordem quando ele tiver desaparecido.
"

Tristes Trópicos
Claude Lévi-Strauss (1908-2009)
via

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

50 anos, por tutatis!




os primeiros li-os em francês e mais tarde segui em frente, trespassando cada um que aparecia. Astérix era o verdadeiro herói. o substituto de um Viriato beirão, apagado numa história pouco entusiasmante.
para mergulhar no lustro oficial é por aqui

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

à beira rio

Páre, escute e olhe o documentário de Jorge Pelicano, vencedor de três prémios no Doclisboa 2009.





terça-feira, 27 de outubro de 2009

city fun

gostava que nas cidades, algumas coisas pudessem ser assim tão simples .
(clicar nas imagens)





projecto The Fun Theory (via cn)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

lustro do dia













resistentes e orgulhosas, as cidades visíveis de Amy Casey. foi por elas que nos últimos dias revisitei Marco Polo.
(img. daqui e daqui)

domingo, 25 de outubro de 2009

o outro lado do espelho


img.
Colleen Corradi Brannigan


"Os antigos construíram Valdrada à beira de um lago com casas todas varandadas umas por cima das outras e com ruas altas que fazem assomar à água os parapeitos em balaustrada. Assim o viajante ao chegar vê duas cidades: uma direita sobre o lago e uma reflectida de pernas para o ar . Nada existe nem acontece coisa numa cidade que a outra não repita, porque a cidade foi construída de modo que todos os seus pontos fossem reflectidos pelo seu espelho, e a cidade na água contém não só todas as estrias e os remates das fachadas que se elevam por cima do lago, mas também o interior das casas com os tectos e pavimentos, a perspectiva dos corredores, os espelhos dos armários. Os habitantes sabem que todos os seus actos são ao mesmo tempo esse acto e a sua imagem especular, a que pertence a especial dignidade das imagens, e esta sua consciência proíbe-os de se abandonarem por um só instante ao acaso e ao esquecimento.
O espelho ora aumenta o valor às coisas, ora o nega. Nem tudo o que parece valer muito por cima do espelho, consegue resistir quando espelhado. As duas cidades gémeas não são iguais, porque nada do que existe ou acontece na cidade é simétrico: a cada rosto e a cada gesto respondem do espelho um rosto ou um gesto inverso ponto por ponto. As duas cidades vivem uma para a outra, olhando-se continuamente nos olhos."


As Cidades Invisíveis, Italo Calvino, Teorema