domingo, 31 de janeiro de 2010


as propostas da editora Orfeu Negro para este ano, na colecção Orfeu Mini, são mais uma vez muito entusiasmantes:

O Coração e a Garrafa, Oliver Jeffers
O Estranho Mundo de Jack, Tim Burton
Migrando, Mariana Chiesa Mateos 

de Oliver Jeffers conheço o leitor compulsivo Henrique e deliro com ele; o Jack Skellington de Tim Burton, gosto de sentir que faz parte da casa (Nigthmare Before Christmas é "o filme" do Natal) e arrependo-me de não ter poupado o suficiente para até Abril ir ao MoMA. Quanto ao livro de Mariana Chiesa, ilustradora argentina a residir em Bolonha e que um dia referi aqui, a propósito do premiado “No hay tiempo para jugar” (Media Vaca, 2004), aguardo o seu olhar delicado sobre travessias de oceanos e estreitos.
Venham eles!

domingo, 24 de janeiro de 2010

borda d'água




Escaroupim e Valada: pelo caminho dos "ciganos do Tejo", dos outros, e da lezíria ensolarada. 
(e um livro para voltar a ler)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

lustro do dia

a poderosa voz de Nick Cave, nesta excelente curta-metragem do estúdio australiano The People's Republic of Animation, dirigida por Eddie White e Ary Gibson:


numa cidade de gatos músicos e cantores, um gato poeta procura salvar a sua musa do poder de uma maléfica criatura que ameaça destruir a cidade e as suas melodias.  
Long ago my city’s luminous heart, beat with the song of four thousand cats. Crooners who shone in the moonlight mimicry of the spotlight. Jazz singers. Hip cats that went ‘Scat!’ Buskers with open-mouthed hats hungry for a feed. Parlours paraded purring glamorous songstresses. Smoky hookahs and smoking hookers. Strays strummed string and sung a cocktail of cat’s tails. A decadent party of meowing sound. A bohemian behemoth, post-midnight soiree.
Amongst the chorale ‘o tuneful ones was one fair queen who drew me from o’er the way. Her fur, an amorous white and a voice that made all the angels of eternity sound tone deaf. Blind with love at first sight, touched by the taste of her sound, I longed to be the microphone she cradled near her breast.
‘Twas our Shang-ri-la of sound, A paradise found where nothin’ could stop us. Or so it seemed.
Singers began to vanish like sailors lost at sea. Snatched from stage alley way Shanghai’d from behind scarlet curtain. Into thin air they disappeared without a single cry. Police study the clues. Foot-prints from human shoes.
So you’ve heard of every instrument but? Torn from your history books is this pianola, This harpsichord of harm. The cruellest instrument to spawn from man’s grey cerebral soup. The Cat Piano.
Confined were the cats in a row of cages. With each note struck upon it’s ivory tusks, A sharpened nail would pierce each cat’s tail, Forcing a note from each pitch on the scale.
I ran my cursed writer’s run to tell her beware. She wasn’t there. My soul capsized. Like a fish, paralysed. On a chopping board, its spinal cord ripped forth from its body, Her vocals the last the thief had needed, A rare celestial pitch that would complete his collection.
The city in unrest. Fights broke out in its sleep. I couldn’t dream anymore. There was a hole in my heart and everything fell out of it. All music forbidden. Keep your lullabies hidden. And your A and E minors off the street after dark.
My town grew cold and bitter. In icy hibernation was the once thumping heart. Now seizing up. Freezing up.
Katzenklavier. The torturous worm of sound burrowed deep into my ears. Le Piano du chat I thought of Van Gogh. Neko Piano. I’d put an end to this incessant, inescapable drone. Mao Gang Qin
I enlisted an army of the brave and I their general declared war. Poised with tooth and fire in paw. We would finally settle this musical score. Eyes with fierce intent that glowed. Through tempestuous waters we rowed. Storming the shores, Swarming in scores, Scaling its walls with well-sharpened claws, We invaded the tower through all its doors.
Up the winding stairs, To meet him with blinding stares. There he sat. The organ grinder.
He turned, we pounced, we scratched and bit. He stumbled. Fell through the window. Screaming into the indigo waters below.
We freed the chain gang from their jail. Cremated the piano. And for home we set sail.
The city had reclaimed its vestal muse. It would live again. Beat again. Cats would sing in the street again. And I in anonymity as I had been long before this soliloquy, Could sit and listen from afar. The Cat Piano, now a healed over wound. And this ode its fading scar.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

ponto de fusão

Alexandre Órion, começa por estudar os locais e as pessoas que neles passam. Monta depois um cenário: pinta uma imagem, uma composição grafitada. Aguarda pelas interacções que os transeuntes estabelecem ao passar e fotografa. O resultado desta união de linguagens, fotografia e pintura, deu origem a exposições por todo o mundo (esteve por cá em 2009) e a um livro - Metabióticas (2006).

fotografias de Alexandre Órion, do livro Metabiótica 

"a fotografia e a pintura de Alexandre Órion são mesmo um projeto para a filosofia. Primeiro vem a espera. Depois a pintura. Depois a espera. Só aí que surge o terceiro elemento (homens, mulheres, automóveis, crianças, animais) e então a cena se completa: a pintura torna-se fotografia." Diógenes Moura,curador da Pinacoteca do Estado de São Paulo

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

efeito borboleta

Há sempre um deus fantástico nas casas
em que eu moro e em volta dos meus passos
eu sinto os grandes anjos cujas asas
contêm todos os ventos dos espaços

Sophia de Mello Breyner Andresen

(imgs.: Maggie Taylor, Julie Morstad e fotogramas do filme Bright Star de Jane Campion)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

figuras geométricas


Marie-Christine Barrault e Jean-Louis Trintignant
Ma Nuit Chez Maud
Eric Rohmer (1920- 2010)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

in a cinema near you

Bright star, would I were stedfast as thou art--
Not in lone splendour hung aloft the night
And watching, with eternal lids apart,
Like nature's patient, sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth's human shores,
Or gazing on the new soft-fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors--
No--yet still stedfast, still unchangeable,
Pillow'd upon my fair love's ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever--or else swoon to death. 

John Keats
(imgs. daqui)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

o céu de Bachelard

Tire partido dos seus impostos, visite mais vezes o paraíso!

(Fernando Alves, ontem, a propósito de uma entrevista de Camila Alire, presidente da Associação das Bibliotecas Americanas (ALA), ao El Pays)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

mau começo

pop-out fobias

não vou começar o ano com medos, mas que este é um espanta-espíritos que pode ajudar muita gente, lá isso é!

o autor é Matthew Reinhart, conhecido pelos seus trabalhos com vários autores, entre eles Maurice Sendak, com o belíssimo "Mommy?".