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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

no silêncio da minha mãe, lembro todas as palavras






Explicação da Ausência

Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer — fosse abertura —
E a saudade é tudo ser igual.

Daniel Faria, in "Explicação das Árvores e de Outros Animais"




sábado, 20 de agosto de 2011

aniversário




The mares go down for their evening feed
                                                              into the meadow grass.
Two pine trees sway the invisible wind
                                                          some sway, some don't sway.
The heart of the world lies open, leached and ticking with sunlight
For just a minute or so.
The mares have their heads on the ground,
                                 the trees have their heads on the blue sky.
Two ravens circle and twist.
              On the borders of heaven, the river flows clear a bit longer.

The Evening is Tranquil, and Dawn is a Thousand Miles Away by Charles Wright


img. Anna Castagnoli



domingo, 1 de maio de 2011

mothering sunday




(...) E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias.(...)

 Herberto Helder
img. Pierre Mornet


(no silêncio da minha mãe, lembro todas as palavras)







segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

lunário



A bicicleta pela lua dentro — mãe, mãe —
ouvi dizer toda a neve.
As árvores crescem nos satélites.
Que hei-de fazer senão sonhar
ao contrário quando novembro empunha —
mãe, mãe — as telhas dos seus frutos?
As nuvens, aviões, mercúrio.
Novembro — mãe — com as suas praças
descascadas.

A neve sobre os frutos — filho, filho.
Janeiro com outono sonha então.
Canta nesse espanto — meu filho — os satélites
sonham pela lua dentro na sua bicicleta.
Ouvi dizer novembro.
As praças estão resplendentes.
As grandes letras descascadas: é novo o alfabeto.
Aviões passam no teu nome —
minha mãe, minha máquina —
mercúrio (ouvi dizer) está cheio de neve.(...)

Herberto Helder
Poesia Toda
Assírio & Alvim, 1998
img:  o lunário para 2011 é da ilustradora argentina Cecília Afonso Esteves 
         e pode comprar-se aqui 

domingo, 3 de maio de 2009

coração de filhas


"o coração de mãe ganha ferrugem quando não vê um filho há muito tempo".

texto de Isabel Minhós Martins
ilustrações de Bernardo Carvalho
Planeta Tangerina


(o coração das filhas explode com saudade)