terça-feira, 25 de dezembro de 2012
domingo, 23 de dezembro de 2012
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
looking for the great escape
Bad day, looking for a way home,
Looking for the great escape.
Gets in his car and drives away
Far from all the things that we are
Puts on a smile and breathes it in and breathes it out
He says, "Bye-bye, bye to all of the noise."
Oh he says, "Bye-bye, bye to all of the noise."
Hey child, things are looking down,
That’s ok you don’t need to win anyways.
Don’t be afraid just eat up all the gray,
and it will fade all away.
Don’t let yourself fall down.
Bad day, looking for the great escape.
He says, "Bad day," looking for the great escape.
On a bad day, looking for the great escape,
The great escape.
domingo, 16 de dezembro de 2012
as palavras ocultas
dá-me
dá-me algo mais que silêncio ou doçura
algo que tenhas e não saibas
não quero dádivas raras
dá-me uma pedra
não fiques imóvel fitando-me
como se quisesses dizer
que há muitas coisas mudas
ocultas no que se diz
dá-me algo lento e fino
como uma faca nas costas
e se nada tens para dar-me
dá-me tudo o que te falta!
carlos edmundo de ory
in“doze nós numa corda"
poemas mudados para português
por herberto helder
assírio & alvim (via)
(img. Katia Chausheva & Antonio Palmerini)
(img. Katia Chausheva & Antonio Palmerini)
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
hopelandic
(para a cristina)
smiling
spinning in circles
holding hands
the world is a blur
except when you're standing
dripping wet
completly soaked
no rubberboots
running inside of us
wants to burst out of the shell
wind in
and the smell of your hair
i hit as hard as i can
with my nose
jumping into a puddle
wearing no boots
completely soaked (dripping wet)
wearing no boots
and i get a nosebleed
but i'll always stand up again
(hopelandic)
and i get a nosebleed
but i'll always stand up again
(hopelandic)
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
do amor e outros demónios
"-Estamos tão longe.- suspirou.
-De onde?
-De nós mesmos."
Gabriel García Márques
terça-feira, 20 de novembro de 2012
real e efémero
imgs. daqui
Matéria de Estrelas
Porque é tudo para sempre, mesmo a efémera morte,
encontrar-nos-emos eternamente
e nunca mais nos veremos.
O impossível volta a ser impossível. Para sempre.
Impossível é cada manhã aberta,
um deus sonha consigo através de nós.
Às vezes quase posso tocá-lo, ao deus,
surpreendê-lo no seu sono, também ele real e efémero.
Matéria, alma do nada,
os mortos ouvem a tua música sólida
pela primeira vez, como uma respiração de estrelas.
A sua intranquilidade transforma-se em si mesma, música.
Manuel António Pina
in «Todas as Palavras — Poesia Reunida».
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riceboy sleeps
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Go to sleep, darlings
"I wonder if the snow loves the trees and fields, that it kisses them so gently? And then it covers them up snug, you know, with a white quilt; and perhaps it says “Go to sleep, darlings, till the summer comes again." Lewis Carroll
img. daqui
domingo, 28 de outubro de 2012
o ponto mais alto da luz
Guarda a manhã
Guarda a manhã
Tudo o mais se pode tresmalhar
Porque tu és o meio da manhã
O ponto mais alto da luz
Em explosão
Daniel Faria
Explicação das Árvores e de Outros Animais
1998
(img. Violeta Lópiz)
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
and so it goes
"(...) Perdi a minha agenda de fenómenos electromagnéticos.
Não sei por isso de que lado esperar este súbito irromper da melancolia."
Rui Costa
(img: via)
domingo, 21 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
calem a notícia
Café Orfeu
Nunca tinha caído
de tamanha altura em mim
antes de ter subido
às alturas do teu sorriso.
Regressava do teu sorriso
como de uma súbita ausência
ou como se tivesse lá ficado
e outro é que tivesse regressado.
Fora do teu sorriso
a minha vida parecia
a vida de outra pessoa
que fora de mim a vivia.
E a que eu regressava lentamente
como se antes do teu sorriso
alguém(eu provavelmente)
nunca tivesse existido.
Manuel António Pina
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores
que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros
são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros
começam onde as árvores acabam
Ao chegar
aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
Deixam o
reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como
pássaros poisam as folhas na terra
Quando o
Outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de
dizer que os pássaros emanam das árvores
Mas deixo
essa forma de dizer ao romancista
É complicada
e não se da bem na poesia
Não foi
ainda isolada da filosofia
Eu amo as
árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que
lá os pendura nos ramos?
De quem é a
mão a inúmera mão?
Eu passo e
muda-se-me o coração
Ruy Belo
domingo, 30 de setembro de 2012
domingo, 23 de setembro de 2012
18
The Laughing Heart
your life is your life
don’t let it be clubbed into dank submission.
be on the watch.
there are ways out.
there is a light somewhere.
it may not be much light but
it beats the darkness.
be on the watch.
the gods will offer you chances.
know them.
take them.
you can’t beat death but
you can beat death in life, sometimes.
and the more often you learn to do it,
the more light there will be.
your life is your life.
know it while you have it.
you are marvelous
the gods wait to delight
in you.
Charles Bukowski
sábado, 22 de setembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
destecer
a escritora e ensaísta Marina Colasanti esteve por cá recentemente nas Palavras Andarilhas. A Rita Pimenta do blog Letra Pequena teve a sorte de conversar com ela e conta-nos tudo aqui.
A Moça Tecelã
Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor de luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos de algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para o outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao seu lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando na sua vida.
Aquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
- Uma casa melhor é necessária, - disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
– Para que ter casa, se podemos ter palácio? – perguntou.
Sem querer resposta, imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
- É para que ninguém saiba do tapete. - disse.
E antes de trancar a porta à chave, advertiu: - Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer o seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
sonhos felizes
My Little Airport
(traduzido às escuras, parece que o tema se chama: Andar a pé no jardim zoológico é coisa séria )
sábado, 15 de setembro de 2012
lugar reservado
caminhas na luz dos meus olhos e em tempo gordo fazes as honras da casa.
guias-me pela cassiopeia
adornas os meus cabelos com romãs e resguardas-me dos vidros e escarpas.
eu prolongo a estadia, demoro-me
enquanto aguardo outra face da lua, recolho-me
e reservo lugar na eternidade.
para dois.
(img.)
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
lisboa a contar
Sexta-feira, 7 de Setembro
- 17h- Contando pelas Ruas com início debaixo do abeto centenário do Jardim do Príncipe Real - acompanhados pelo acordeão de Rini Luyks e pelos contos dos contabandistas e amigos - (público familiar - entrada livre)- caminhada com pausas para contos no Miradouro de São Pedro de Alcântara (com oferta de maravilhosa vista para o Castelo de São Jorge), na Cervejaria Trindade (com oferta duma imperial), no Largo do Carmo (com oferta de cantorias e contarias da Ana Sofia Paiva) e terminando em grande no Largo do Teatro Nacional de São Carlos;

- Serão no Teatro da BARRACA (cada espectáculo - 4 euros - bilheteiras abrem às 20h para vender bilhetes para ambas as sessões da noite):
21h00 - Contando à Portuguesa com Cristina Taquelim e António Fontinha;
22h20 - Ben Haggarty (contos em inglês sem tradução)
- 23h59 - Micro-Maratona de contos no Bar A BARRACA - contos com um máximo de 7 minutos de duração - inscrições em festivalcontoslisboa@gmail.com - entrada livre
Sábado, 8 de Setembro
- 10h30 - Contos no Jardim da Estrela com Benita Prieto (Brasil) - ( entrada livre)
- 16h00 - Contos do Sobe e Desce (com os contabandistas e amigos) - (público familiar - entrada livre) - encontro no Largo do Camões
-17h30 - - Apresentação do livro de Rodolfo Castro "A Intuição Leitora, A Intenção Narrativa" da Editora Gatafunho (com o apoio IELT-FCT) e Conversa sobre a Narração com Cacharoletes da Grant's no Bar A BARRACA
- Serão no Teatro da BARRACA (cada espectáculo - 4 euros - bilheteiras abrem às 20h para vender bilhetes para ambas as sessões da noite):
21h00 - Manuel Garrido e Maria del Mar
(contos em portuñol com ilustração ao vivo projectada)
22h20 - Jan Blake (contos em inglês sem tradução)
- Contatinas de Luís Carmelo com Nuno Mourão no Bar A BARRACA depois dos espectáculos - entrada livre
Domingo, 9 de Setembro
- 10h - Contos com Vista para o Horizonte (público familiar - entrada livre)
Encerramos em festa com todos os contadores do festival e com música de Rini&Bastolini olhando para o boca do Tejo por onde partiram os navegadores portugueses para desbravar tantas TERRAS INCÓGNITAS
- no Anfiteatro ao ar-livre do Center for the Unknown da Fundação Champalimaud
via
sábado, 1 de setembro de 2012
do imaginar
"... procura Alfândega da Fé, lá pelas terras quentes do azeite e da amêndoa. Desliza um pouco para a direita, até Parada; aí estás numa varanda sobre a linha sinuosa do Sabor, é numa curva larga do rio, sítio de passagem a vau entre campos e desertos, que fica, ainda, o Santo Antão da Barca, no seu último verão antes da grande cheia.
ou vai até ao Pocinho, onde agora acabam os comboios que correm Douro fora. Aí vai ter, a esse Douro adormecido por mil albufeiras, o Sabor, que desce de Espanha e passa rente a Torre de Moncorvo. Vai subindo com dedo, desenhando linhas de pescoço, curvas de ombro, cornucópias, passa Felgar, terra de oleiros esquecidos, passa Cilhades, a abandonada, passa quintas vazias que ainda têm nomes bonitos e ilusões de gente, e voltas a encontrar o Santo Antão, pousado no lado esquerdo.(...)"
cn
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
o que sobre nós virá
um dizer ainda puro
imagino que sobre nós virá um céu
de espuma e que, de sol em sol,
uma nova língua nos fará dizer
o que a poeira da nossa boca adiada
soterrou já para lá da mão possível
onde cinzentos abandonamos a flor.
dizes: põe nos meus os teus dedos
e passemos os séculos sem rosto,
apaguemos de nossas casas o barulho
do tempo que ardeu sem luz.
sim, cria comigo esse silêncio
que nos faz nus e em nós acende
o lume das árvores de fruto.
diz-me que há ainda versos por escrever,
que sobra no mundo um dizer ainda puro.
Vasco Gato, Um Mover de Mão, Assírio e Alvim, 2000.
img. Katia Chausheva
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
no silêncio da minha mãe, lembro todas as palavras
Explicação da Ausência
Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer — fosse abertura —
E a saudade é tudo ser igual.
Daniel Faria, in "Explicação das Árvores e de Outros Animais"
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
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