terça-feira, 17 de julho de 2012
sábado, 7 de julho de 2012
oração
E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente das urzes, um silêncio, uma palavra; traz da montanha um pássaro de resina, uma lua vermelha...
Herberto Helder terça-feira, 19 de junho de 2012
as rugas da cidade
Meus olhos têm melancolias,
minha boca tem rugas.
Velha cidade! (...)
minha boca tem rugas.
Velha cidade! (...)
Carlos Drummond de Andrade
JR e José Parlá - Los Surcos de la Ciudad: La Habana, Cuba.
via
domingo, 17 de junho de 2012
nunca ressuscitará, visto que nada ressuscita

De que armas disporemos, senão destas
Que estão dentro do corpo: o pensamento,
a ideia de polis, resgatada
De um grande abuso, uma noção de casa
E de hospitalidade e de barulho
Atrás do qual vem o poema, atrás
Do qual virá a colecção dos feitos
E defeitos humanos, um início.
A Terceira Miséria
Hélia Correia
Relógio d’Água
sábado, 16 de junho de 2012
a memória, num museu longe daqui
The Agony of Waiting
Don't Lean Back That Way, You Might Fall
My Father's Death
Tombala
a entrada no Museu da Inocência do mestre Pamuk é por aqui
quinta-feira, 14 de junho de 2012
prá próxima não te dou nada
sou daquelas que acham que os livros pertencem à categoria dos seres vivos, que respiram como os pássaros e as orcas e que têm alma como as gentes e os gatos. é por isso que me parece que já é tempo de se criar uma qualquer liga de defesa dos direitos dos livros, à semelhança do que se faz com outros seres frágeis deste mundo, respirações à beira da extinção, protegendo-os do abandono dos homens. este vídeo bem podia ser o arranque promocional de uma campanha.
(claro que teríamos que arranjar mais uns vestidos à miúda!)
terça-feira, 12 de junho de 2012
marcha
Se eu
soubesse dançar
convidava-te para um tango,
guiava-te nos labirintos do coração.
Voarias sobre os campos
como num deslumbramento
seríamos uma ameaça
à estabilidade nacional ...
Henrique Manuel Bento Fialho, A dança das feridas
(img. Katrin Zeidler)
segunda-feira, 11 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
mid air
como na casa do lado ainda só entram meninas e esta é a canção mais bonita que ouvi nos últimos tempos, deixo-a cair do bolso aqui.
sábado, 9 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
morreu o homem ilustrado
terça-feira, 5 de junho de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
aguardo uma outra estação
primavera primeira
estremeço desde o princípio do meu rosto
desde o momento em que sorri e me sorriram
e é nesse lugar ínfimo que suspendo todas as palavras
que fecho os olhos e sinto a frescura de todas as águas
o oceano que cessa e atende o esvoaçar da primavera
é a primeira primavera de todos os outonos
é aqui que em silêncio se bordam os calendários
dias entre dias e sobre dias e as memórias que escapam
e não mais se alcançam se não nos tornamos menores
- no futuro não há esquecimento nem segredos
cada coração guarda apenas o que for mais comum
Vasco Gato, Um Mover de Mão, Assírio & Alvim
img. María Wernicke
sábado, 19 de maio de 2012
toque e foge
sábado, 12 de maio de 2012
acima dos pássaros
hei-de sempre recordar uma noite de verão na tenda de Braço de Prata, num dos momentos mais bonitos em que me lembro de o ouvir tocar, no encerramento de um encontro organizado pelo Miguel Portas.
onda negra, a destas últimas semanas!
terça-feira, 8 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
lustro do dia: as coisas
a chuva já não mora aqui.
domingo, 22 de abril de 2012
a terra toda
Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...
Alberto CaeiroE sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...
img. Andrei Tarkovsky
quarta-feira, 18 de abril de 2012
(des)orientação
Houvesse um sinal a conduzir-nos
E unicamente ao movimento de crescer nos guiasse. Termos das árvores
A incomparável paciência de procurar o alto
A verde bondade de permanecer
E orientar os pássaros
Daniel Faria
Explicação das árvores e outros animais
1998
segunda-feira, 16 de abril de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
domingos assim
Chove…
Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?
Chove…
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.
José Gomes Ferreira
img. Klaas Verplancke
quinta-feira, 12 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
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