terça-feira, 19 de junho de 2012

as rugas da cidade

Meus olhos têm melancolias,
minha boca tem rugas.
Velha cidade! (...)

Carlos Drummond de Andrade


 















 JR e José Parlá - Los Surcos de la Ciudad: La Habana, Cuba.
via
 

domingo, 17 de junho de 2012

nunca ressuscitará, visto que nada ressuscita




De que armas disporemos, senão destas
Que estão dentro do corpo: o pensamento,
a ideia de polis, resgatada
De um grande abuso, uma noção de casa
E de hospitalidade e de barulho
Atrás do qual vem o poema, atrás
Do qual virá a colecção dos feitos
E defeitos humanos, um início.



 





A Terceira Miséria
Hélia Correia
Relógio d’Água

sábado, 16 de junho de 2012

a memória, num museu longe daqui

 The Agony of Waiting


 Don't Lean Back That Way, You Might Fall


My Father's Death


Tombala
















a entrada no Museu da Inocência do mestre Pamuk é  por aqui

quinta-feira, 14 de junho de 2012

prá próxima não te dou nada

sou daquelas que acham que os livros pertencem à categoria dos seres vivos, que respiram como os pássaros e as orcas e que têm alma como as gentes e os gatos. é por isso que me parece que já é tempo de se criar uma qualquer liga de defesa dos direitos dos livros, à semelhança do que se faz com outros seres frágeis deste mundo, respirações à beira da extinção, protegendo-os do abandono dos homens. este vídeo bem podia ser o arranque promocional de uma campanha.







(claro que teríamos que arranjar mais uns vestidos à miúda!)

terça-feira, 12 de junho de 2012

marcha





Se eu 
soubesse dançar
convidava-te para um tango,
guiava-te nos labirintos do coração.
Voarias sobre os campos
como num deslumbramento
seríamos uma ameaça
à estabilidade nacional ...

Henrique Manuel Bento Fialho,  A dança das feridas

(img. Katrin Zeidler)

domingo, 10 de junho de 2012

mid air



como na casa do lado ainda só entram meninas e esta é a canção mais bonita que ouvi nos últimos tempos, deixo-a cair do bolso aqui.




...life goes by
and you learn
how to watch
your brigdes burn...




Paul Buchanan, Mid Air, 2012



quinta-feira, 7 de junho de 2012

morreu o homem ilustrado









Ray Bradbury (1921-2012)


img. Ray Bradbury's Fahrenheit 451
The Authorized Adaptation, Tim Hamilton



terça-feira, 5 de junho de 2012

o sol não pode viver perto da lua





(a flor e o espinho de Nelson Cavaquinho - os Soaked Lamb e a animação de uma infelicidade)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

aguardo uma outra estação



primavera primeira


estremeço desde o princípio do meu rosto
desde o momento em que sorri e me sorriram
e é nesse lugar ínfimo que suspendo todas as palavras
que fecho os olhos e sinto a frescura de todas as águas
o oceano que cessa e atende o esvoaçar da primavera

é a primeira primavera de todos os outonos
é aqui que em silêncio se bordam os calendários
dias entre dias e sobre dias e as memórias que escapam
e não mais se alcançam se não nos tornamos menores
- no futuro não há esquecimento nem segredos
cada coração guarda apenas o que for mais comum

Vasco Gato, Um Mover de Mão, Assírio & Alvim

img. María Wernicke

sábado, 19 de maio de 2012

toque e foge

confesso que andado zangada com o Sérgio Godinho depois de o ver metido nesta palhaçada, mas o vídeo que a Rita Sá fez para a Bomba-Relógio é bem bom e merece que eu me distraia por um pouco do autor da canção, para o mostrar o trabalho dela aqui:



sábado, 12 de maio de 2012

acima dos pássaros






hei-de sempre recordar uma noite de verão na tenda de Braço de Prata, num dos momentos mais bonitos em que me lembro de o ouvir tocar, no encerramento de um encontro organizado pelo Miguel Portas.
onda negra, a destas últimas semanas!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

lustro do dia: as coisas





as coisas. não poderia imaginar melhor maneira de me conciliar hoje com o mundo.
a chuva já não mora aqui.

domingo, 22 de abril de 2012

a terra toda



Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...
Alberto Caeiro
img. Andrei Tarkovsky 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

(des)orientação


Houvesse um sinal a conduzir-nos
E unicamente ao movimento de crescer nos guiasse. Termos das árvores
A incomparável paciência de procurar o alto
A verde bondade de permanecer
E orientar os pássaros

Daniel Faria
Explicação das árvores e outros animais
1998

domingo, 15 de abril de 2012

domingos assim

 


Chove…
Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu? 

Chove…
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira
img. Klaas Verplancke

quinta-feira, 12 de abril de 2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

um filme cosido à mão e com cheiro









O Sapateiro
realizado por David Doutel e Vasco Sá 
(Monstra - Melhor Filme Português /SPA Vasco Granja)
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