quinta-feira, 30 de junho de 2011

Hellas


















Ne pleure pas sur la Grèce,
quand on croit qu’elle va fléchir,
Le couteau contre l’os
et la corde au cou,

La voici de nouveau qui s’élance,
impétueuse et sauvage,
pour harponner la bête
avec le trident du soleil.


Yannis Ritsos


segunda-feira, 20 de junho de 2011

notícia tão triste

 

"Pedro Hestnes foi o rosto com que se acendeu, nesses anos 90, uma utopia a que se chamou Cinema Português." Vasco Câmara, Publico, 20 de Junho

 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

apologia da luz



img. Anna Castagnoli

 

O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
 
Ruy Belo
1933-1978
Todos os Poemas
Ruy Belo
Assírio & Alvim
 

(este país tem o tamanho dos nossos dias, dos gestos e das palavras com que rejeitamos a resignação) 

 


terça-feira, 17 de maio de 2011

abecedário em luta








O Têpluquê e Outras Histórias, Manuel António Pina, com ilustrações de João Botelho, 1976

(continuar a ler aqui)

domingo, 15 de maio de 2011

porque escreve o prémio camões 2011?



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Café do Molhe 

 

Perguntavas-me
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo. 

(a feliz notícia sobre este prémio atribuído a Manuel António Pina, pode ser lida aqui)


segunda-feira, 9 de maio de 2011

to be








Imperative

Be just a little bit sad,
always,
or you'll find yourself lost,

but be just a little bit lost
too far for help to arrive
or you'd only find yourself happy,

yet be a little bit happy,
inexplicably happy,
jump over the moon,

or you'd find yourself sad,
a little bit sad,
always.

Toon Tellegen

(img. Isabelle Arsenault)

sábado, 7 de maio de 2011

el libro recordado

é o título de uma conferência proferida pelo escritor de silêncios mexicano Gabriel Pacheco, editado em Portugal pela OQO e Kalandraka, no âmbito do Ilumina (encontros sobre o álbum  ilustrado) durante a Feira do Livro de Valladolid e contribui decisivamente para melhor compreendermos as atmosferas originais que cria nas suas narrativas visuais.



Recordamos que com as ilustrações do livro As três meninas que a Bags of Books publicará no outono, Gabriel Pacheco venceu este ano o CJ 3rd Picture Book Award. A editora tem ainda prevista para breve a publicação de um outro livro ilustrado por Gabriel Pacheco, O homem que entrava pela janela (Fado Vadio), história poética escrita por Gonzalo Moure Trenor e que tem Lisboa como cenário.
















(uma excelente entrevista a Gabriel Pacheco pode ser vista aqui)

terça-feira, 3 de maio de 2011

André Letria




"O Pato Lógico faz livros. Em papel e não só. Uns têm folhas que se viram para desvendar a página seguinte, outros vivem dentro de ecrãs. São livros para os mais novos ou para os mais velhos, para os altos ou baixos. Para os que se portam mal e até para os que se portam bem. O Pato Lógico quer que todos os leiam. E quantos mais, melhor." 

assim anuncia André Letria no blog do pato o regresso da sua editora, a Pato Lógico Edições. A apresentação dos quatro novos títulos será feita no próximo sábado por Eduardo Filipe, comissário da Bienal Ilustrarte e José Brito Soares, do Instituto de Apoio à Criança, entre as 16:30 e as 18:00 na Feira do Livro de Lisboa, na banca do Clube do Autor.



ESTRAMBÓLICOS e DE CARAS
com texto de José Jorge Letria e ilustrações de André Letria

INCÓMODO e DESTINO
com história e ilustrações de André Letria
 

domingo, 1 de maio de 2011

mothering sunday




(...) E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias.(...)

 Herberto Helder
img. Pierre Mornet


(no silêncio da minha mãe, lembro todas as palavras)







sábado, 30 de abril de 2011

2 debates a não perder



Dia 30, às 16h30, no Auditório da APEL
Leitura à Rasca
com  Fernando Pinto do Amaral (PNL), Maria Carlos Loureiro (DGLB), Filipe Leal (BM Oeiras) e Dora Batalim;  moderação de Teresa Sampaio (Ler +, Ler Melhor). 

Dia 1 de Maio, às 17h30, no Auditório da APEL
Os melhores livros do ano – infanto-juvenil
com Ana Margarida Ramos (investigadora, professora na Universidade de Aveiro), Sílvia Borges Silva (jornalista e responsável pelo Palácio da Lua), Sandy Gageiro (jornalista, responsável pelo programa Liliput, da Antena 2), e Rui Andrade (da Livraria Cabeçudos); moderação de Sara Figueiredo Costa.

A Feira do Livro de Lisboa 2011 realiza-se entre 28/Abril e 15/Maio de 2011 no Parque Eduardo VII.
Horário de funcionamento:
2ª a 5ª Feira - Das 12h30 às 23h00
6ª Feira - Das 12h30 às 24h00
Sábados - Das 11h00 às 24h00
Domingos - Das 11h00 às 23h00

quinta-feira, 28 de abril de 2011

por um instante

 















 Há jardins invadidos de luar
Que vibram no silêncio como liras

Sophia de Mello Breyner Andresen
img. Elsa Mora

segunda-feira, 25 de abril de 2011

sábado, 23 de abril de 2011

reedição festejada: toca a ler e a reler!

 Lá vai uma...
















A felicidade não é o que temos, é o que somos

  


lá vão duas...




De vilão a rei mandão















Santideus, santitates, tira-e-viras, sarapitates 





e uma mais ainda, disfarçada de posfácio, 





chão da infância da autora e de memória da sua mãe.







O sabor dos sabores
 "...aqui os deixo entregues ao sabor dos sabores. Deliciem-se. Toca a ler e a reler!"



 

Lá vai uma... lá vão duas... 
Luísa Dacosta
Cristina Valadas (ilustração)
 Asa, 2011


Mais uma reedição da homenageada no último Correntes d' Escritas, Luísa Dacosta.
O conjunto destas três pequenas histórias, agora ilustrado por Cristina Valadas,  integra a colecção de «Obras Completas de Luísa Dacosta para a Infância». O texto, publicado originalmente em 1993 com ilustrações de Manuela Bacelar, foi distinguido em 1994 com o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças . 


o machado que quebra o mar gelado em nós*


cartaz de João Vaz de Carvalho

*Franz Kafka

sexta-feira, 15 de abril de 2011

o fogo, a cidade



O fogo, a cidade

às vezes
sobre as palavras pesa um dia luminoso, a clara
imprecisão do gesto
o corpo inclina-se para a água
do poema

a roupa estas mãos o torpor da casa
quando o silêncio a morna demorosa voz
se desfazem no ritmo entontecido
do mundo

caminho descalço sobre a página
olho uma outra vez
voltando-me para trás
o fogo, a cidade
Miguel Manso, Quando escreve descalça-se,  Trama, Lisboa, 2011.
(img. Catia Chen)