terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

monsieur tout-le-monde




Sauver la nature


L'obstination


Percevoir le monde
Tracer sa route

Le port d'attache



 Profession de foi


 Rien n'est parfait


Transmission du savoir


La perseverance



L'examen de conscience



 Tourner la page


 Identité


Gilbert Garcin

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

a ordem do dia (só por mais dois dias!)


à beira de mais uma eleição, este seria francamente um voto interessante:





Esse é o mote: Vote

Este
é o mote: vote.
Estamos todos no mesmo bote.
Vote.
Escolha o menos fracote
e vote.
Já não se votou no Lott?
Pois vote.
Não anule nem faça trote.
Vote.
Pelas barbas do Quixote,
vote!
Não picote o papelote.
Vote.
Tire os nomes de um pote.
Ou do decote.
Mas vote.
Não passa na glote?
Não faz mal.
Vote.
Você preferia ficar em casa ouvindo o Concerto em Dó Maior
de
Gottfried Munthel para Orquestra, Baixo Contínuo e Fagote?
Tomando um scotch?
Esquece.
Vote.
Vote em sacerdote,
Ou em hotentote.
Mas vote.
Vote em cocote.
(Mas não em iscariote.)
Mas vote.
Não fique aí pensando “to be or not”.
Vote!
E, se no fim faltar rima, não se apague.
Sufrague

img. (alterada) daqui 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

deslumbramento








Estão juntos há mais de trinta anos. Tecem universos invisíveis e dificilmente dizíveis. Com generosidade, Victoria Chaplin e Jean-Baptiste Thierrée sugerem sonhos e territórios poéticos sublimes. Estiveram em Lisboa em 2008 com o espectáculo Le Cirque Invisible e depois de ter visto o filme de Sylvain Chomet, foi impossível não me recordar deles e do estado de graça em que me deixaram.
(para os conhecer melhor, é só seguir por aqui)

sábado, 15 de janeiro de 2011

melancolia




Pas de péripéties haletantes, mais des pincées d’humour qui scintillent comme des pépites, des grands sentiments distillés avec pudeur, une élégance pleine de modestie, le tout magnifié par un graphisme superbe. ­Chomet, comme Tati, est un artisan qui avance par touches subtiles, sans se presser. 


O Mágico
de Sylvain Chomet

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

peixe colorido

É um peixe mas não se pode comer. Um arenque, peixe que não se come assim sem mais nem menos. Chega pela mão da  Bruaá, o primeiro petisco criativo do ano: Arenque Fumado, poema de Charles Cros (1842 – 1888), ilustrado por André da Loba. Logo que o apanhemos queremos prová-lo!






O arenque fumado

Era um grande muro branco – nu, nu, nu,
Posta no muro uma escada – alta, alta, alta,
No chão, um arenque fumado – seco, seco, seco.

Ele chega, trazendo nas mãos – porcas, porcas, porcas,
Um martelo pesado, um prego – bicudo, bicudo, bicudo,
Um novelo de fio – grosso, grosso, grosso.

Subindo então à escada – alta, alta, alta,
Espeta o prego bicudo – toque, toque, toque,
Ao alto do muro branco – nu, nu, nu.

Deixa fugir o martelo – que cai, que cai, que cai,
ao prego amarra a corda – longa, longa, longa,
E à ponta o arenque fumado – seco, seco, seco.

Volta descer a escada – alta, alta, alta,
Leva-a, e ao martelo – pesado, pesado, pesado.
E lá se afasta para – longe, longe, longe.

Então o arenque fumado – seco, seco, seco,
Na ponta da corda – longa, longa, longa,
Balança devagarinho – sempre, sempre, sempre.

E eu inventei esta história – banal, banal, banal,
Para enfurecer as pessoas – graves, graves, graves,
E divertir as criancinhas – pequenas, pequenas, pequenas.

Charles Cros
via

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

lunário



A bicicleta pela lua dentro — mãe, mãe —
ouvi dizer toda a neve.
As árvores crescem nos satélites.
Que hei-de fazer senão sonhar
ao contrário quando novembro empunha —
mãe, mãe — as telhas dos seus frutos?
As nuvens, aviões, mercúrio.
Novembro — mãe — com as suas praças
descascadas.

A neve sobre os frutos — filho, filho.
Janeiro com outono sonha então.
Canta nesse espanto — meu filho — os satélites
sonham pela lua dentro na sua bicicleta.
Ouvi dizer novembro.
As praças estão resplendentes.
As grandes letras descascadas: é novo o alfabeto.
Aviões passam no teu nome —
minha mãe, minha máquina —
mercúrio (ouvi dizer) está cheio de neve.(...)

Herberto Helder
Poesia Toda
Assírio & Alvim, 1998
img:  o lunário para 2011 é da ilustradora argentina Cecília Afonso Esteves 
         e pode comprar-se aqui 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

sais de prata ou entras de ouro?


Em 2010, Eugénio Roda (Emílio Remelhe) lançava:
" mostra o que trazes nas mãos, vê onde poisas os pés." Assim fizemos.

Para 2011,  Ano Internacional da Química e ano Europeu do Voluntariado, as Edições Eterogémeas, quer dizer o Gémeo Luís e o Emílio Remelhe, lançaram mais um livro-agenda - 2011 LIGAÇÕES QUÍMICAS - FULL TIME ATTITUDES, com ilustradores de diferentes nacionalidades, textos de Eugénio Roda, precioso cuidado gráfico e novas exortações: 
Formula hipóteses, faz experiências, tira conclusões: sais de prata ou entras de ouro?









Estamos ligados. Em círculos viciados e virtuosos. Nesta matéria, estamos de acordo. Mas importa regular a acidez. Afinal, as melhores soluções são básicas e as piores nunca são neutras. Formula hipóteses, faz experiências, tira conclusões: Sais de prata ou entras de ouro?
Anna Castagnoli

Ale + Ale (Alessandro Lecis e Alessandra Panzeri)

Bom Ano!

domingo, 26 de dezembro de 2010

lustro do dia: women are heroes




seguir este projecto
via
(a alteração ao conteúdo inicial deste post, deve-se ao facto de eu ser uma naba incapaz de impedir a permanência do som do vídeo que postei...)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

a vida resiste, e anda, e dura







Não digo do Natal – digo da nata
do tempo que se coalha com o frio
e nos fica branquíssima e exacta
nas mãos que não sabem de que cio

nasceu esta semente; mas que invade
esses tempos relíquidos e pardos
e faz assim que o coração se agrade
de terrenos de pedras e de cardos

por dezembros cobertos. Só então
é que descobre dias de brancura
esta nova pupila, outra visão,

e as cores da terra são feroz loucura
moídas numa só, e feitas pão
com que a vida resiste, e anda, e dura.


Pedro Tamen 
(img. Abbas Kiarostami)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

por um instante








Durante anos Andrei Tarkovski deixou-se seduzir pela Polaroid como ferramenta que lhe permitia parar o tempo por um instante,  registando-o com o mesmo olhar que reconhecemos nos seus filmes. 
Originalmente publicadas em 2006, estas fotografias foram digitalizadas e publicadas recentemente num fotoblogue russo.
via























e será desta mesma casa que fala o seu pai?


 




Cresce a névoa da vista – esse poder,
Duas luras em diamante invisíveis;
Surdo pela tempestade de outrora
E o bafo da casa de meu pai;
Nós cegos numa trança de músculos
Como bois velhos no campo arado;
E na noite não brilham mais
As asas do meu dorso.

Arsenii Tarkovskii
8 Ícones
Assírio & Alvim,1987