Estão juntos há mais de trinta anos. Tecem universos invisíveis e dificilmente dizíveis. Com generosidade, Victoria Chaplin e Jean-Baptiste Thierrée sugerem sonhos e territórios poéticos sublimes. Estiveram em Lisboa em 2008 com o espectáculo Le Cirque Invisible e depois de ter visto o filme de Sylvain Chomet, foi impossível não me recordar deles e do estado de graça em que me deixaram.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
sábado, 15 de janeiro de 2011
melancolia
Pas de péripéties haletantes, mais des pincées d’humour qui scintillent comme des pépites, des grands sentiments distillés avec pudeur, une élégance pleine de modestie, le tout magnifié par un graphisme superbe. Chomet, comme Tati, est un artisan qui avance par touches subtiles, sans se presser.
O Mágico
de Sylvain Chomet
de Sylvain Chomet
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
já é depois do natal
... as cores dos meus jacintos já espreitam e eu vigio a chegada de sol.
Depois do Natal
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
peixe colorido
É um peixe mas não se pode comer. Um arenque, peixe que não se come assim sem mais nem menos. Chega pela mão da Bruaá, o primeiro petisco criativo do ano: Arenque Fumado, poema de Charles Cros (1842 – 1888), ilustrado por André da Loba. Logo que o apanhemos queremos prová-lo!
O arenque fumado
Era um grande muro branco – nu, nu, nu,
Posta no muro uma escada – alta, alta, alta,
No chão, um arenque fumado – seco, seco, seco.
Ele chega, trazendo nas mãos – porcas, porcas, porcas,
Um martelo pesado, um prego – bicudo, bicudo, bicudo,
Um novelo de fio – grosso, grosso, grosso.
Subindo então à escada – alta, alta, alta,
Espeta o prego bicudo – toque, toque, toque,
Ao alto do muro branco – nu, nu, nu.
Deixa fugir o martelo – que cai, que cai, que cai,
ao prego amarra a corda – longa, longa, longa,
E à ponta o arenque fumado – seco, seco, seco.
Volta descer a escada – alta, alta, alta,
Leva-a, e ao martelo – pesado, pesado, pesado.
E lá se afasta para – longe, longe, longe.
Então o arenque fumado – seco, seco, seco,
Na ponta da corda – longa, longa, longa,
Balança devagarinho – sempre, sempre, sempre.
E eu inventei esta história – banal, banal, banal,
Para enfurecer as pessoas – graves, graves, graves,
E divertir as criancinhas – pequenas, pequenas, pequenas.
Charles Cros
via
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
lunário
A bicicleta pela lua dentro — mãe, mãe —
ouvi dizer toda a neve.
As árvores crescem nos satélites.
Que hei-de fazer senão sonhar
ao contrário quando novembro empunha —
mãe, mãe — as telhas dos seus frutos?
As nuvens, aviões, mercúrio.
Novembro — mãe — com as suas praças
descascadas.
A neve sobre os frutos — filho, filho.
Janeiro com outono sonha então.
Canta nesse espanto — meu filho — os satélites
sonham pela lua dentro na sua bicicleta.
Ouvi dizer novembro.
As praças estão resplendentes.
As grandes letras descascadas: é novo o alfabeto.
Aviões passam no teu nome —
minha mãe, minha máquina —
mercúrio (ouvi dizer) está cheio de neve.(...)
Herberto Helder
Poesia Toda
Assírio & Alvim, 1998
sábado, 1 de janeiro de 2011
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
sais de prata ou entras de ouro?
Em 2010, Eugénio Roda (Emílio Remelhe) lançava:
" mostra o que trazes nas mãos, vê onde poisas os pés." Assim fizemos.
Para 2011, Ano Internacional da Química e ano Europeu do Voluntariado, as Edições Eterogémeas, quer dizer o Gémeo Luís e o Emílio Remelhe, lançaram mais um livro-agenda - 2011 LIGAÇÕES QUÍMICAS - FULL TIME ATTITUDES, com ilustradores de diferentes nacionalidades, textos de Eugénio Roda, precioso cuidado gráfico e novas exortações:
Formula hipóteses, faz experiências, tira conclusões: sais de prata ou entras de ouro?
Estamos ligados. Em círculos viciados e virtuosos. Nesta matéria, estamos de acordo. Mas importa regular a acidez. Afinal, as melhores soluções são básicas e as piores nunca são neutras. Formula hipóteses, faz experiências, tira conclusões: Sais de prata ou entras de ouro?
Anna Castagnoli
Ale + Ale (Alessandro Lecis e Alessandra Panzeri)
Bom Ano!
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domingo, 26 de dezembro de 2010
lustro do dia: women are heroes
seguir este projecto
via
(a alteração ao conteúdo inicial deste post, deve-se ao facto de eu ser uma naba incapaz de impedir a permanência do som do vídeo que postei...)
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
a vida resiste, e anda, e dura
Não digo do Natal – digo da nata
do tempo que se coalha com o frio
e nos fica branquíssima e exacta
nas mãos que não sabem de que cio
nasceu esta semente; mas que invade
esses tempos relíquidos e pardos
e faz assim que o coração se agrade
de terrenos de pedras e de cardos
por dezembros cobertos. Só então
é que descobre dias de brancura
esta nova pupila, outra visão,
e as cores da terra são feroz loucura
moídas numa só, e feitas pão
com que a vida resiste, e anda, e dura.
Pedro Tamen
(img. Abbas Kiarostami)
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
por um instante
Durante anos Andrei Tarkovski deixou-se seduzir pela Polaroid como ferramenta que lhe permitia parar o tempo por um instante, registando-o com o mesmo olhar que reconhecemos nos seus filmes.
Originalmente publicadas em 2006, estas fotografias foram digitalizadas e publicadas recentemente num fotoblogue russo.
via
via
e será desta mesma casa que fala o seu pai?
Cresce a névoa da vista – esse poder,
Duas luras em diamante invisíveis;
Surdo pela tempestade de outrora
E o bafo da casa de meu pai;
Nós cegos numa trança de músculos
Como bois velhos no campo arado;
E na noite não brilham mais
As asas do meu dorso.
Arsenii Tarkovskii
8 Ícones
Assírio & Alvim,1987
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sábado, 18 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
une fausse fable

à réciter en dansant maintenant
Les cigales bossent l’été,
mais l’hiver, elles restent assises
à faire quelques mots croisés
ou à repasser des chemises.
Elles sont toutes endolories,
regardent la neige tomber,
chantent une complainte endormie
et bâillent comme des criquets.
Après avoir bien pris leurs aises
et quand plus rien ne les épate,
elles se lèvent de leur chaise
avec des fourmis dans les pattes.
Petits poèmes pour passer le temps
Carl Norac (texto) e Kitty Crowther (ilustração)
Didier Jeunesse, 2008
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
lustro do dia: Grant Snider
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
fins de tarde na cidade
com Cristina Norton e Danuta Wojciechowska no dia 9 de Dezembro, às 18h30, no auditório do edifício dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, na Av. Afonso Costa (junto à rotunda das Olaias) |
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