sábado, 15 de janeiro de 2011

melancolia




Pas de péripéties haletantes, mais des pincées d’humour qui scintillent comme des pépites, des grands sentiments distillés avec pudeur, une élégance pleine de modestie, le tout magnifié par un graphisme superbe. ­Chomet, comme Tati, est un artisan qui avance par touches subtiles, sans se presser. 


O Mágico
de Sylvain Chomet

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

peixe colorido

É um peixe mas não se pode comer. Um arenque, peixe que não se come assim sem mais nem menos. Chega pela mão da  Bruaá, o primeiro petisco criativo do ano: Arenque Fumado, poema de Charles Cros (1842 – 1888), ilustrado por André da Loba. Logo que o apanhemos queremos prová-lo!






O arenque fumado

Era um grande muro branco – nu, nu, nu,
Posta no muro uma escada – alta, alta, alta,
No chão, um arenque fumado – seco, seco, seco.

Ele chega, trazendo nas mãos – porcas, porcas, porcas,
Um martelo pesado, um prego – bicudo, bicudo, bicudo,
Um novelo de fio – grosso, grosso, grosso.

Subindo então à escada – alta, alta, alta,
Espeta o prego bicudo – toque, toque, toque,
Ao alto do muro branco – nu, nu, nu.

Deixa fugir o martelo – que cai, que cai, que cai,
ao prego amarra a corda – longa, longa, longa,
E à ponta o arenque fumado – seco, seco, seco.

Volta descer a escada – alta, alta, alta,
Leva-a, e ao martelo – pesado, pesado, pesado.
E lá se afasta para – longe, longe, longe.

Então o arenque fumado – seco, seco, seco,
Na ponta da corda – longa, longa, longa,
Balança devagarinho – sempre, sempre, sempre.

E eu inventei esta história – banal, banal, banal,
Para enfurecer as pessoas – graves, graves, graves,
E divertir as criancinhas – pequenas, pequenas, pequenas.

Charles Cros
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

lunário



A bicicleta pela lua dentro — mãe, mãe —
ouvi dizer toda a neve.
As árvores crescem nos satélites.
Que hei-de fazer senão sonhar
ao contrário quando novembro empunha —
mãe, mãe — as telhas dos seus frutos?
As nuvens, aviões, mercúrio.
Novembro — mãe — com as suas praças
descascadas.

A neve sobre os frutos — filho, filho.
Janeiro com outono sonha então.
Canta nesse espanto — meu filho — os satélites
sonham pela lua dentro na sua bicicleta.
Ouvi dizer novembro.
As praças estão resplendentes.
As grandes letras descascadas: é novo o alfabeto.
Aviões passam no teu nome —
minha mãe, minha máquina —
mercúrio (ouvi dizer) está cheio de neve.(...)

Herberto Helder
Poesia Toda
Assírio & Alvim, 1998
img:  o lunário para 2011 é da ilustradora argentina Cecília Afonso Esteves 
         e pode comprar-se aqui 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

sais de prata ou entras de ouro?


Em 2010, Eugénio Roda (Emílio Remelhe) lançava:
" mostra o que trazes nas mãos, vê onde poisas os pés." Assim fizemos.

Para 2011,  Ano Internacional da Química e ano Europeu do Voluntariado, as Edições Eterogémeas, quer dizer o Gémeo Luís e o Emílio Remelhe, lançaram mais um livro-agenda - 2011 LIGAÇÕES QUÍMICAS - FULL TIME ATTITUDES, com ilustradores de diferentes nacionalidades, textos de Eugénio Roda, precioso cuidado gráfico e novas exortações: 
Formula hipóteses, faz experiências, tira conclusões: sais de prata ou entras de ouro?









Estamos ligados. Em círculos viciados e virtuosos. Nesta matéria, estamos de acordo. Mas importa regular a acidez. Afinal, as melhores soluções são básicas e as piores nunca são neutras. Formula hipóteses, faz experiências, tira conclusões: Sais de prata ou entras de ouro?
Anna Castagnoli

Ale + Ale (Alessandro Lecis e Alessandra Panzeri)

Bom Ano!

domingo, 26 de dezembro de 2010

lustro do dia: women are heroes




seguir este projecto
via
(a alteração ao conteúdo inicial deste post, deve-se ao facto de eu ser uma naba incapaz de impedir a permanência do som do vídeo que postei...)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

a vida resiste, e anda, e dura







Não digo do Natal – digo da nata
do tempo que se coalha com o frio
e nos fica branquíssima e exacta
nas mãos que não sabem de que cio

nasceu esta semente; mas que invade
esses tempos relíquidos e pardos
e faz assim que o coração se agrade
de terrenos de pedras e de cardos

por dezembros cobertos. Só então
é que descobre dias de brancura
esta nova pupila, outra visão,

e as cores da terra são feroz loucura
moídas numa só, e feitas pão
com que a vida resiste, e anda, e dura.


Pedro Tamen 
(img. Abbas Kiarostami)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

por um instante








Durante anos Andrei Tarkovski deixou-se seduzir pela Polaroid como ferramenta que lhe permitia parar o tempo por um instante,  registando-o com o mesmo olhar que reconhecemos nos seus filmes. 
Originalmente publicadas em 2006, estas fotografias foram digitalizadas e publicadas recentemente num fotoblogue russo.
via























e será desta mesma casa que fala o seu pai?


 




Cresce a névoa da vista – esse poder,
Duas luras em diamante invisíveis;
Surdo pela tempestade de outrora
E o bafo da casa de meu pai;
Nós cegos numa trança de músculos
Como bois velhos no campo arado;
E na noite não brilham mais
As asas do meu dorso.

Arsenii Tarkovskii
8 Ícones
Assírio & Alvim,1987

sábado, 18 de dezembro de 2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

une fausse fable


 à réciter en dansant maintenant

Les cigales bossent l’été,
mais l’hiver, elles restent assises
à faire quelques mots croisés
ou à repasser des chemises.

Elles sont toutes endolories,
regardent la neige tomber,
chantent une complainte endormie
et bâillent comme des criquets.

Après avoir bien pris leurs aises
et quand plus rien ne les épate,
elles se lèvent de leur chaise
avec des fourmis dans les pattes.

Petits poèmes pour passer le temps
Carl Norac (texto) e Kitty Crowther (ilustração)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

lustro do dia: Grant Snider

 




























 (o dia deixou-me carregada de patine mas ainda assim, longe do nostalgia point)





terça-feira, 7 de dezembro de 2010

fins de tarde na cidade




com Cristina Norton e Danuta Wojciechowska























 no dia 9 de Dezembro, às 18h30, no auditório do edifício dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, na Av. Afonso Costa (junto à rotunda das Olaias)

domingo, 5 de dezembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

no sábado, há que correr!

pela manhã,


PEQUENOS INVENTORES
Oficina | para crianças 4 – 8 anos

Gostas de inventar jogos, construir brinquedos e descobrir como funcionam as coisas à tua volta? Então convidamos-te a vir conhecer o Noma, um pequeno inventor que decide construir, com a ajuda de cola, tesoura e uma régua, o seu próprio brinquedo: um comboio.
À tua espera estará uma história nova e tudo o que precisas para construir com as tuas próprias mãos…um avião! Traz contigo os pais, os avós, os irmãos, os primos e, claro, boa disposição e espírito criativo!
São 50 minutos de engenharia inovadora, orientados pela Susana Alves.
Aqui
via




pela tarde, a caminho do Oeste, até ao lugar encantado das Histórias com Bicho



domingo, 7 de novembro de 2010