sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago (1922-2010)




A Maior Flor do Mundo, de Juan Pablo Etcheverry, música de Emilio Aragón, 2006  
via 


Na ilha por vezes habitada

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

in Provavelmente Alegria, Caminho, Lisboa, 1985, 3ª Edição
 

quinta-feira, 17 de junho de 2010

where a story comes from


"I especially like stories with extended landscapes, strong women, big feelings..."
 "every story has a shape, a music, a rhythm"  


















hoje ao final da tarde, Muriel Bloch falou do seu trabalho e do modo como o realiza, da mesma maneira como conta as histórias que escolhe para o concretizar: tece as palavras com cuidado e graça, envolve-nos nelas e de seguida, devolve-nos a uma cama macia. a da memória colectiva.
fiquei ainda mais curiosa por ouvir o que vai passar-se amanhã aqui.

terça-feira, 15 de junho de 2010

palavras ditas (baixiiiinho)



por uns dias, as palavras farão caminho tranquilo por aqui e eu vou sair ao encontro delas. procuro histórias e lugares frescos.


segunda-feira, 14 de junho de 2010

próximo futuro

 
Palavras Daqui, Dali e Dacolá

Contos tradicionais da América Latina, da África e da Europa são o ponto de partida para invenções e recriações de histórias de ontem e de hoje, usando a tendência para acrescentar um ponto em cada conto contado. E para contar estas histórias temos de tudo um pouco. Palavras, certamente, mas também objectos, sons e gestos.

O programa é intenso, com sessões contínuas de manhã à noite, no Jardim. Temos contadores de profissão e contadores de eleição ... que esperam por nós nas tendas, na barraquinha ou no consultório de contos.

Para todas as idades, desde miúdos até aos graúdos temos actividades que partilham as palavras, os contos, a música e o fio da imaginação.
 
 programação completa aqui

quarta-feira, 9 de junho de 2010

terça-feira, 1 de junho de 2010

do amor



Há umas semanas atrás o João Carlos mandou-me um amor pelo correio. 
Literalmente um amor pelo correio, já que "Meu amor da América" se inspira na história verdadeira de uma saudade e de um afecto, carregados de pudor e bem-querer, a partir da correspondência trocada entre um casal de camponeses torrejanos que o Oceano Atlântico apartou no início do século XX. 
Não sei se o que mais me comoveu foi a prematura interrupção do amor que a morte de um deles decidiu, ou se a minha própria memória das cartas que também os meus pais trocaram, durante um namoro que longamente se estendeu entre a Beira-Baixa e Lisboa e que os carris que levavam o meu pai Tejo acima e abaixo, ajudaram a perdurar. A verdade é que ao olhá-lo por estes dias, não paro de me lembrar do modo como nas suas longas cartas, o meu pai se despedia da minha mãe, "Recebe um aperto de mão, deste que te ama do coração, João" e fico mais perto do seu amor e da saudade que ele sente dela.
Obrigada João, pela bonita história que me contaste; vou guardá-la com atenção.
(a animação é uma pérola do ilustrador Nicolai Troshinsk, com música de Sylvia Filus; via)





domingo, 30 de maio de 2010

sábado, 22 de maio de 2010

lustro do dia


o vermelho impertinente e o carvão de Noemí Villamuza (autora deste cartaz e destas delicadas ilustrações) que recriam na perfeição, as imagens literárias criadas por Antonio Ventura neste belíssimo abcedário:
el Jabon bucea en un mar de espuma



ABCdario
Nórdica Libros

segunda-feira, 17 de maio de 2010

lustros, hoje são dois

os novos lugares do André Letria, aqui e aqui

 













(estes são rostos da ansiedade dos benfiquistas- tipo "angústia do guarda-redes antes do penalty"- no seu novo livro Domingo Vamos à Luz, mas bem poderiam ser os rostos da malta, quando ouve os agentes do governo na tv)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

andanças


 Nuno Marçal, guerreiro incansável no labor de distribuir palavras escritas, é o candidato português ao Prémio ALMA 2011. Bem merece.
img. daqui

segunda-feira, 3 de maio de 2010

de outros tempos...



a lembrar-me o ano em que vivi na Zambugeira do Mar e encontrei a Lena, primeira viciada em Tetris que conheci (eh,eh!).
a lembrar-me as peças de lego que me sobressaltavam os cantos da casa, quando o João descobriu os brinquedos com que o irmão pouco brincou.
a lembrar-me que o tempo passa e não se repete.
e que me lembro. que bom!

domingo, 2 de maio de 2010

brilhos


Bernardo Carvalho venceu o Prémio Nacional de Ilustração 2009, pelas ilustrações do livro Depressa, Devagar, com texto de Isabel Minhós Martins, editado pela Planeta Tangerina.










Foram também atribuídas menções especiais às ilustrações das seguintes obras: Livro dos medos, da autoria de Marta Madureira, com texto de Adélia Carvalho, da editora Trampolim, e Andar por aí, da autoria de Madalena Matoso, com texto de Isabel Minhós Martins, da editora Planeta Tangerina.


e como os brilhos eram muitos e a escolha difícil, o júri destacou ainda 12 obras ilustradas por outros tantos autores: Afonso Cruz, Alex Gozblau, Paulo Galindro, Teresa Lima, Pierre Pratt, Ana Biscaia, Horácio Tomé Marques, André Letria, Inês Oliveira, José Feitor e Luís Henriques. (mais informação aqui)
Parabéns a todos eles.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

lágrimas de crocodilo

A Feira do Livro de Lisboa está de volta e a minha lista de desejos vai-se estendendo (uns quantos estão ali ao lado). Entretanto, o novo livro da Bruaá,



vai-me abrindo apetite para outros encontros. Como este:


The Crocodile's Toothache



The Crocodile went to the dentist,
And sat down in the chair,
And the dentist said, "Now tell me, sir,
Why does it hurt and where?"
And the Crocodile said, "I'll tell you the truth,
I have a terrible ache in my tooth,"
And he opened his jaws so wide, so wide,
That the dentist, he climbed right inside,
And the dentist laughed, "Oh isn't this fun?"
As he pulled the teeth out, one by one.
And the Crocodile cried, "You're hurting me so!
Please put down your pliers and let me go."
But the dentist just laughed with a Ho Ho Ho,
And he said, "I still have twelve to go--
Oops, that's the wrong one, I confess,
But what's one crocodile's tooth, more or less?"
Then suddenly, the jaws went SNAP,
And the dentist was gone, right off the map,
And where he went one could only guess...
To North or South or East or West...
He left no forwarding address.
But what's one dentist, more or less? 


domingo, 25 de abril de 2010

mais memória




Raimundo Narciso, Helena Pato, José Manuel Tengarrinha e Edmundo Pedro, esta tarde, na cerimónia de descerramento-inauguração da placa informativa da localização da ex-sede da PIDE-DGS, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, organizada pelo Movimento Não Apaguem a Memória! – NAM em cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa. 

"Este importante acto de preservação da Memória surge na sequência da luta do NAM pela recolocação da placa evocativa dos cidadãos mortos pela PIDE-DGS no dia 25 de Abril de 1974, na fachada do condomínio privado de luxo que substituiu a sede da PIDE sem que as autoridades então cuidassem, como era seu dever cívico, da preservação do património histórico da luta pela Liberdade."

o povo saiu à rua




o primeiro dia do resto das nossas vidas


Romance do 25 de Abril
João Pedro Mésseder (texto)
Alex Gozblau (ilustração)
Caminho

sexta-feira, 23 de abril de 2010

novidades do planeta






















 O Primeiro Gomo da Tangerina
 
Todos vieram
ver a menina
ao primeiro gomo de tangerina
menina atenta
não experimenta
sem primeiro
saber do cheiro
o sabor dos lábios
gestos sábios
Fruta esquisita
menina aflita
ao primeiro gomo de tangerina
amarga e doce
como se fosse
essa hora
em que chora
e depois dobra o riso
e assim faz seu juízo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
um beijo um beijo
Ah, que se lembre
sempre a menina
do primeiro gomo de tangerina
p´la vida dentro
é esse o centro
da parcela da vitamina
que a faz crescer sempre menina
A terra é grande
é pequenina
do tamanho apenas da tangerina
quem mata e morra
nunca percorre
os caminhos do que há de melhor
nesse sumo
a vida, gomo a gomo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
rumo na vida
um beijo
um beijo

Sérgio Godinho
(O tema "O primeiro gomo da tangerina" faz parte do álbum "Tinta permanente", que Sérgio Godinho publicou em 1993 e pode ser ouvido aqui)