"I especially like stories with extended landscapes, strong women, big feelings..."
"every story has a shape, a music, a rhythm"
hoje ao final da tarde, Muriel Bloch falou do seu trabalho e do modo como o realiza, da mesma maneira como conta as histórias que escolhe para o concretizar: tece as palavras com cuidado e graça, envolve-nos nelas e de seguida, devolve-nos a uma cama macia. a da memória colectiva.
fiquei ainda mais curiosa por ouvir o que vai passar-se amanhã aqui.
Contos tradicionais da América Latina, da África e da Europa são o ponto de partida para invenções e recriações de histórias de ontem e de hoje, usando a tendência para acrescentar um ponto em cada conto contado. E para contar estas histórias temos de tudo um pouco. Palavras, certamente, mas também objectos, sons e gestos.
O programa é intenso, com sessões contínuas de manhã à noite, no Jardim. Temos contadores de profissão e contadores de eleição ... que esperam por nós nas tendas, na barraquinha ou no consultório de contos.
Para todas as idades, desde miúdos até aos graúdos temos actividades que partilham as palavras, os contos, a música e o fio da imaginação.
Há umas semanas atrás o João Carlos mandou-me um amor pelo correio.
Literalmente um amor pelo correio, já que "Meu amor da América" se inspira na história verdadeira de uma saudade e de um afecto, carregados de pudor e bem-querer, a partir da correspondência trocada entre um casal de camponeses torrejanos que o Oceano Atlântico apartou no início do século XX.
Não sei se o que mais me comoveu foi a prematura interrupção do amor que a morte de um deles decidiu, ou se a minha própria memória das cartas que também os meus pais trocaram, durante um namoro que longamente se estendeu entre a Beira-Baixa e Lisboa e que os carris que levavam o meu pai Tejo acima e abaixo, ajudaram a perdurar. A verdade é que ao olhá-lo por estes dias, não paro de me lembrar do modo como nas suas longas cartas, o meu pai se despedia da minha mãe, "Recebe um aperto de mão, deste que te ama do coração, João" e fico mais perto do seu amor e da saudade que ele sente dela.
Obrigada João, pela bonita história que me contaste; vou guardá-la com atenção.
(a animação é uma pérola do ilustrador Nicolai Troshinsk, com música de Sylvia Filus; via)
o vermelho impertinente e o carvão de Noemí Villamuza (autora deste cartaz e destas delicadas ilustrações) que recriam na perfeição, as imagens literárias criadas por Antonio Ventura neste belíssimo abcedário:
(estes são rostos da ansiedade dos benfiquistas- tipo "angústia do guarda-redes antes do penalty"- no seu novo livro Domingo Vamos à Luz, mas bem poderiam ser os rostos da malta, quando ouve os agentes do governo na tv)
Bernardo Carvalho venceu o Prémio Nacional de Ilustração 2009, pelas ilustrações do livro Depressa, Devagar, com texto de Isabel Minhós Martins, editado pela Planeta Tangerina.
Foram também atribuídas menções especiais às ilustrações das seguintes obras: Livro dos medos, da autoria de Marta Madureira, com texto de Adélia Carvalho, da editora Trampolim, e Andar por aí, da autoria de Madalena Matoso, com texto de Isabel Minhós Martins, da editora Planeta Tangerina.
e como os brilhos eram muitos e a escolha difícil, o júri destacou ainda 12 obras ilustradas por outros tantos autores: Afonso Cruz, Alex Gozblau, Paulo Galindro, Teresa Lima, Pierre Pratt, Ana Biscaia, Horácio Tomé Marques, André Letria, Inês Oliveira, José Feitor e Luís Henriques. (mais informação aqui)
A Feira do Livro de Lisboa está de volta e a minha lista de desejos vai-se estendendo (uns quantos estão ali ao lado). Entretanto, o novo livro da Bruaá,
vai-me abrindo apetite para outros encontros. Como este:
The Crocodile's Toothache
The Crocodile went to the dentist, And sat down in the chair, And the dentist said, "Now tell me, sir, Why does it hurt and where?" And the Crocodile said, "I'll tell you the truth, I have a terrible ache in my tooth," And he opened his jaws so wide, so wide, That the dentist, he climbed right inside, And the dentist laughed, "Oh isn't this fun?" As he pulled the teeth out, one by one. And the Crocodile cried, "You're hurting me so! Please put down your pliers and let me go." But the dentist just laughed with a Ho Ho Ho, And he said, "I still have twelve to go-- Oops, that's the wrong one, I confess, But what's one crocodile's tooth, more or less?" Then suddenly, the jaws went SNAP, And the dentist was gone, right off the map, And where he went one could only guess... To North or South or East or West... He left no forwarding address. But what's one dentist, more or less?
Raimundo Narciso, Helena Pato, José Manuel Tengarrinha e Edmundo Pedro, esta tarde, na cerimónia de descerramento-inauguração da placa informativa da localização da ex-sede da PIDE-DGS, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, organizada pelo Movimento Não Apaguem a Memória! – NAM em cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa.
"Este importante acto de preservação da Memória surge na sequência da luta do NAM pela recolocação da placa evocativa dos cidadãos mortos pela PIDE-DGS no dia 25 de Abril de 1974, na fachada do condomínio privado de luxo que substituiu a sede da PIDE sem que as autoridades então cuidassem, como era seu dever cívico, da preservação do património histórico da luta pela Liberdade."
Todos vieram
ver a menina
ao primeiro gomo de tangerina
menina atenta
não experimenta
sem primeiro
saber do cheiro
o sabor dos lábios
gestos sábios
Fruta esquisita
menina aflita
ao primeiro gomo de tangerina
amarga e doce
como se fosse
essa hora
em que chora
e depois dobra o riso
e assim faz seu juízo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
um beijo um beijo
Ah, que se lembre
sempre a menina
do primeiro gomo de tangerina
p´la vida dentro
é esse o centro
da parcela da vitamina
que a faz crescer sempre menina
A terra é grande
é pequenina
do tamanho apenas da tangerina
quem mata e morra
nunca percorre
os caminhos do que há de melhor
nesse sumo
a vida, gomo a gomo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
rumo na vida
um beijo
um beijo
Sérgio Godinho
(O tema "O primeiro gomo da tangerina" faz parte do álbum "Tinta permanente", que Sérgio Godinho publicou em 1993 e pode ser ouvido aqui)
Maman, plus tard, moi je serai
blanchisseur de nuages ou berger d'oiseaux,
peut-être compteur de gouttes d'eau,
arbitre pour combats d'escargots,
garde du corps pour papillons,
acupuncteur pour hérissons,
clown pour passants fatigués,
imprimeur pour sans-papiers,
décorateur de coccinelles,
empêcheur de tomber du ciel.
Puis, j'inventerai la machine à ne rien faire
qui se tendra en hamac depuis la terre
vers un point très lointain du vaste univers.
Alors, on m'élira comme la plus lente
et la plus mignonne étoile filante.Respirant le grand air des galaxies, à cheval sur l'Ourse, sur la queue de Castor, employé des affaires privées de l'infini, je connaîtrai enfin l'âge d'or.