quinta-feira, 29 de abril de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
lágrimas de crocodilo
A Feira do Livro de Lisboa está de volta e a minha lista de desejos vai-se estendendo (uns quantos estão ali ao lado). Entretanto, o novo livro da Bruaá,
vai-me abrindo apetite para outros encontros. Como este:
The Crocodile's Toothache
The Crocodile went to the dentist,
And sat down in the chair,
And the dentist said, "Now tell me, sir,
Why does it hurt and where?"
And the Crocodile said, "I'll tell you the truth,
I have a terrible ache in my tooth,"
And he opened his jaws so wide, so wide,
That the dentist, he climbed right inside,
And the dentist laughed, "Oh isn't this fun?"
As he pulled the teeth out, one by one.
And the Crocodile cried, "You're hurting me so!
Please put down your pliers and let me go."
But the dentist just laughed with a Ho Ho Ho,
And he said, "I still have twelve to go--
Oops, that's the wrong one, I confess,
But what's one crocodile's tooth, more or less?"
Then suddenly, the jaws went SNAP,
And the dentist was gone, right off the map,
And where he went one could only guess...
To North or South or East or West...
He left no forwarding address.
But what's one dentist, more or less?
The Crocodile went to the dentist,
And sat down in the chair,
And the dentist said, "Now tell me, sir,
Why does it hurt and where?"
And the Crocodile said, "I'll tell you the truth,
I have a terrible ache in my tooth,"
And he opened his jaws so wide, so wide,
That the dentist, he climbed right inside,
And the dentist laughed, "Oh isn't this fun?"
As he pulled the teeth out, one by one.
And the Crocodile cried, "You're hurting me so!
Please put down your pliers and let me go."
But the dentist just laughed with a Ho Ho Ho,
And he said, "I still have twelve to go--
Oops, that's the wrong one, I confess,
But what's one crocodile's tooth, more or less?"
Then suddenly, the jaws went SNAP,
And the dentist was gone, right off the map,
And where he went one could only guess...
To North or South or East or West...
He left no forwarding address.
But what's one dentist, more or less?
domingo, 25 de abril de 2010
mais memória
Raimundo Narciso, Helena Pato, José Manuel Tengarrinha e Edmundo Pedro, esta tarde, na cerimónia de descerramento-inauguração da placa informativa da localização da ex-sede da PIDE-DGS, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, organizada pelo Movimento Não Apaguem a Memória! – NAM em cooperação com a Câmara Municipal de Lisboa.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
novidades do planeta
O Primeiro Gomo da Tangerina
Todos vieram
ver a menina
ao primeiro gomo de tangerina
menina atenta
não experimenta
sem primeiro
saber do cheiro
o sabor dos lábios
gestos sábios
ver a menina
ao primeiro gomo de tangerina
menina atenta
não experimenta
sem primeiro
saber do cheiro
o sabor dos lábios
gestos sábios
Fruta esquisita
menina aflita
ao primeiro gomo de tangerina
amarga e doce
como se fosse
essa hora
em que chora
e depois dobra o riso
e assim faz seu juízo
menina aflita
ao primeiro gomo de tangerina
amarga e doce
como se fosse
essa hora
em que chora
e depois dobra o riso
e assim faz seu juízo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
um beijo um beijo
é o que eu te desejo
um beijo um beijo
Ah, que se lembre
sempre a menina
do primeiro gomo de tangerina
p´la vida dentro
é esse o centro
da parcela da vitamina
que a faz crescer sempre menina
sempre a menina
do primeiro gomo de tangerina
p´la vida dentro
é esse o centro
da parcela da vitamina
que a faz crescer sempre menina
A terra é grande
é pequenina
do tamanho apenas da tangerina
quem mata e morra
nunca percorre
os caminhos do que há de melhor
nesse sumo
a vida, gomo a gomo
é pequenina
do tamanho apenas da tangerina
quem mata e morra
nunca percorre
os caminhos do que há de melhor
nesse sumo
a vida, gomo a gomo
Sumo na vida
é o que eu te desejo
rumo na vida
um beijo
um beijo
é o que eu te desejo
rumo na vida
um beijo
um beijo
Sérgio Godinho
(O tema "O primeiro gomo da tangerina" faz parte do álbum "Tinta permanente", que Sérgio Godinho publicou em 1993 e pode ser ouvido aqui)quinta-feira, 22 de abril de 2010
que bom que é
ver o João crescer e festejar com ele este tempo
Carl Norac
L' Age d'or
Maman, plus tard, moi je serai
blanchisseur de nuages ou berger d'oiseaux,
peut-être compteur de gouttes d'eau,
arbitre pour combats d'escargots,
garde du corps pour papillons,
acupuncteur pour hérissons,
clown pour passants fatigués,
imprimeur pour sans-papiers,
décorateur de coccinelles,
empêcheur de tomber du ciel.
Puis, j'inventerai la machine à ne rien faire
qui se tendra en hamac depuis la terre
vers un point très lointain du vaste univers.
Alors, on m'élira comme la plus lente
et la plus mignonne étoile filante.Respirant le grand air des galaxies,
à cheval sur l'Ourse, sur la queue de Castor,
employé des affaires privées de l'infini,
je connaîtrai enfin l'âge d'or.
blanchisseur de nuages ou berger d'oiseaux,
peut-être compteur de gouttes d'eau,
arbitre pour combats d'escargots,
garde du corps pour papillons,
acupuncteur pour hérissons,
clown pour passants fatigués,
imprimeur pour sans-papiers,
décorateur de coccinelles,
empêcheur de tomber du ciel.
Puis, j'inventerai la machine à ne rien faire
qui se tendra en hamac depuis la terre
vers un point très lointain du vaste univers.
Alors, on m'élira comme la plus lente
et la plus mignonne étoile filante.Respirant le grand air des galaxies,
à cheval sur l'Ourse, sur la queue de Castor,
employé des affaires privées de l'infini,
je connaîtrai enfin l'âge d'or.
Carl Norac
(ilustração de Carll Cneut no livro "Um segredo para crescer", com texto de Carl Norac)
quarta-feira, 21 de abril de 2010
lustro do dia
se pegarmos nesta ideia, vai ser fácil Portugal tornar-se o tal jardim à beira-mar plantado!
domingo, 18 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
raízes
Quem me dera ter raízes,
que me prendessem ao chão.
Que não me deixassem dar
um passo que fosse em vão.
Que me deixassem crescer
silencioso e erecto,
como um pinheiro de riga,
uma faia ou um abeto.
Quem me dera ter raízes,
raízes em vez de pés.
Como o lódão, o aloendro,
o ácer e o aloés.
Sentir a copa vergar,
quando passasse um tufão.
E ficar bem agarrado,
pelas raízes, ao chão.
que me prendessem ao chão.
Que não me deixassem dar
um passo que fosse em vão.
Que me deixassem crescer
silencioso e erecto,
como um pinheiro de riga,
uma faia ou um abeto.
Quem me dera ter raízes,
raízes em vez de pés.
Como o lódão, o aloendro,
o ácer e o aloés.
Sentir a copa vergar,
quando passasse um tufão.
E ficar bem agarrado,
pelas raízes, ao chão.
Jorge Sousa Braga
Herbário
domingo, 11 de abril de 2010
spring ahead
"you can never hold back spring
you can be sure I will never
stop believing
the blushing rose will climb
spring ahead or fall behind
winter dreams the same dream
every time(...)"
Tom Waits
you can be sure I will never
stop believing
the blushing rose will climb
spring ahead or fall behind
winter dreams the same dream
every time(...)"
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Forgotten Language
Once I spoke the language of the flowers, Once I understood each word the caterpillar said, Once I smiled in secret at the gossip of the starlings, And shared a conversation with the housefly in my bed. Once I heard and answered all the questions of the crickets, And joined the crying of each falling dying flake of snow, Once I spoke the language of the flowers. . . . How did it go? How did it go? Shel Silverstein img. Gustavo Aimar |
segunda-feira, 5 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
migrando
Migrando tem duas capas, dois pontos de partida, mas é indiferente por onde se começa a viagem. Neste livro, aves e pessoas cruzam os céus. Fazem as malas, abrem as asas e lançam-se à aventura…
Dedicada aos que deixaram a sua terra para re-existirem noutro lugar, esta história sem palavras e de imagens poéticas, mostra como a palavra migrante pode ser sinónimo de sofrimento e fragilidade, mas também de coragem e futuro.
Um livro habitado pelo oceano, que separa e une terras e destinos. Um livro de desenhos, no qual cada leitor re-inventa a própria história.
Mariana Chiesa Mateos nasceu na Argentina e vive actualmente em Itália. Dedica-se à pintura, gravura e ilustração. A infância, o desejo, a perda são temas recorrentes no trabalho desta artista, que tem participado em diversas mostras internacionais e colaborado com editoras como a Media Vaca, na qual publicou os títulos No hay Tiempo para Jugar (ilustrações seleccionadas pelo júri da Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha 2003) e Mis Primeras 80.000 Palabras (obra colectiva).
(informação da Orfeu Negro)Dedicada aos que deixaram a sua terra para re-existirem noutro lugar, esta história sem palavras e de imagens poéticas, mostra como a palavra migrante pode ser sinónimo de sofrimento e fragilidade, mas também de coragem e futuro.
Um livro habitado pelo oceano, que separa e une terras e destinos. Um livro de desenhos, no qual cada leitor re-inventa a própria história.
Mariana Chiesa Mateos nasceu na Argentina e vive actualmente em Itália. Dedica-se à pintura, gravura e ilustração. A infância, o desejo, a perda são temas recorrentes no trabalho desta artista, que tem participado em diversas mostras internacionais e colaborado com editoras como a Media Vaca, na qual publicou os títulos No hay Tiempo para Jugar (ilustrações seleccionadas pelo júri da Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha 2003) e Mis Primeras 80.000 Palabras (obra colectiva).
terça-feira, 30 de março de 2010
E se eu fosse um bicho?
segunda-feira, 29 de março de 2010
Um livro espera-te. Procura-o
Era uma vez
um barquinho pequenino,
que não sabia,
não podia
navegar.
Passaram uma, duas, três,
quatro, cinco, seis semanas,
e aquele barquinho,
aquele barquinho
navegou.
Antes de se aprender a ler aprende-se a brincar. E a cantar. Eu e os meninos da minha terra entoávamos esta cantiga quando ainda não sabíamos ler. Juntávamo-nos na rua, fazendo uma roda e, ao despique com as vozes dos grilos no Verão, cantávamos uma e outra vez a impotência do barquinho que não sabia navegar.
Às vezes construíamos barquinhos de papel, íamos pô-los nos charcos e os barquinhos desfaziam-se sem conseguirem alcançar nenhuma costa.
Eu também era um barco pequeno fundeado nas ruas do meu bairro. Passava as tardes numa açoteia vendo o sol esconder-se à hora do poente, e pressentia na lonjura – não sabia ainda se nos longes do espaço, se nos longes do coração – um mundo maravilhoso que se estendia para lá do que a minha vista alcançava.
Por detrás de umas caixas, num armário da minha casa, também havia um livro pequenino que não podia navegar porque ninguém o lia. Quantas vezes passei por ele, sem me dar conta da sua existência! O barco de papel, encalhado na lama; o livro solitário, oculto na estante, atrás das caixas de cartão.
Um dia, a minha mão, à procura de alguma coisa, tocou na lombada do livro. Se eu fosse livro, contaria a coisa assim: «Certo dia, a mão de um menino roçou na minha capa e eu senti que as minhas velas se desdobravam e eu começava a navegar».
Que surpresa quando, por fim, os meus olhos tiveram na frente aquele objecto! Era um pequeno livro de capa vermelha e marca-de-água dourada. Abri-o expectante como quem encontra um cofre e ansioso por conhecer o seu conteúdo. E não era para menos. Mal comecei a ler, compreendi que a aventura estava servida: a valentia do protagonista, as personagens bondosas, as malvadas, as ilustrações com frases em pé-de-página que observava uma e outra vez, o perigo, as surpresas…, tudo isso me transportou a um mundo apaixonante e desconhecido.
Desse modo descobri que para lá da minha casa havia um rio, e que atrás do rio havia um mar e que no mar, à espera de partir, havia um barco. O primeiro em que embarquei chamava-se Hispaniola, mas teria sido igual se se chamasse Nautilus, Rocinante, a embarcação de Sindbad ou a jangada de Huckleberry. Todos eles, por mais tempo que passe, estarão sempre à espera de que os olhos de um menino desamarrem as suas velas e os façam zarpar.
É por isso que… não esperes mais, estende a tua mão, pega num livro, abre-o, lê: descobrirás, como na cantiga da minha infância, que não há barco, por pequeno que seja, que em pouco tempo não aprenda a navegar.
ELIACER CANSINO
Tradução: José António Gomes
a International Board on Books for Young People (IBBY) divulga anualmente uma mensagem de incentivo à leitura dirigida às crianças de todo o mundo. difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil), Secção Portuguesa do IBBY.
Este ano coube ao escritor espanhol Eliacer Cansino a redacção da mensagem. O cartaz do IBBY é da autoria da ilustradora Noemí Villamuza.
sábado, 27 de março de 2010
You say today is...Saturday?
| Sick | ||||||
| "I cannot go to school today", Said little Peggy Ann McKay." "I have the measles and the mumps, A gash, a rash and purple bumps. My mouth is wet, my throat is dry, I'm going blind in my right eye. My tonsils are as big as rocks, I've counted sixteen chicken pox And there's one more-that's seventeen, And don't you think my face looks green? My leg is cut-my eyes are blue- It might be instamatic flu. I cough and sneeze and gasp and choke, I'm sure that my left leg is broke- My hip hurts when I move my chin, My belly button's caving in, My back is wrenched, my ankle's sprained, My 'pendix pains each time it rains. My nose is cold, my toes are numb. I have a sliver in my thumb. My neck is stiff, my voice is weak, I hardly whisper when I speak. My tongue is filling up my mouth, I think my hair is falling out. My elbow's bent, my spine ain't straight, My temperature is one-o-eight. My brain is shrunk, I cannot hear, There is a hole inside my ear. I have a hangnail, and my heart is-what? What's that? What's that you say? You say today is...Saturday? G'bye, I'm going out to play!" | ||||||
Shel Silverstein(img. Takashi Kawashima)
sexta-feira, 26 de março de 2010
alma
ontem de manhã na Ilustrarte, esta
foi uma das pérolas que deixou doçura no sorriso de algumas meninas; confessei-lhes que me fazia pensar na saudade que tenho da minha mãe e que por isso gostava muito desta ilustração. ficámos ali a falar da gentileza do traço, da sua simplicidade, à espreita de outros sentidos. à noite, fiquei a saber que a autora, a ilustradora belga Kitty Crowther, tinha sido a galardoada do Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA), prémio instituído a partir de 2002, em memória de uma das mais famosas escritoras suecas Astrid Lindgren (1907-2002), a criadora da famosa "Pipi das Meias Altas".
(mais sobre Kitty Crowther aqui)
(mais sobre Kitty Crowther aqui)
quinta-feira, 25 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
magia e ilusão
Um velho mágico que aposta almas com o diabo, a sua filha , um anão, um aprendiz... e a possibilidade de criar todas as ilusões (também a de Heath Ledger ainda andar por cá) que o teatro permite. A chegada esta semana do novo filme de Terry Gilliam, The Imaginarium of Doctor Parnassus, recordou-me o gosto com que visito os teatrinhos de papel da dedicada coleccionadora Lucia Contreras Flores e da fantasia que esses palcos permitem, sem recurso a óculos especiais. Este é mesmo o meu tipo de 3D favorito.
(img. daqui e daqui) segunda-feira, 22 de março de 2010
a acrobata
A acrobata deu mal um salto mortal
e ficou um pouco coxa para o resto da vida
todas as histórias de circo são tristes e sórdidas
esta também é
o empresário era mau
a acrobata não foi despedida
foi obrigada a escrever um romance
em quinze dias
a acrobata escreveu tanto e com tanta força
que abriu o pulso da mão esquerda
o empresário continuou a ser mau
outra vez
agora vai vender nougats
nos intervalos
sorvetes não pode ser
porque os ia deixar derreter
quem mal começa acaba pior
a acrobata ficou tão corada
que os nougats ficaram muito moles
a acrobata para ninguém dar por isso
engoliu os nougats muito moles
à frente dos clientes
e pagou-os do seu próprio bolso
que era o bolso do vestido velho de taffetas lilás
de uma trapezista que se tinha distraído
esta história começa mal mas não
acaba mal
acaba aqui
depois a acrobata combinou fugir
com as aranhas
e fugiram umas atrás das outras
Adília Lopes
(img. Beatriz Martin Vidal)
sábado, 20 de março de 2010
Spring is like a perhaps
Spring is like a perhaps hand
(which comes carefully
out of Nowhere) arranging
a window, into which people look (while
people stare
arranging and changing placing
carefully there a strange
thing and a known thing here) and
changing everything carefully
spring is like a perhaps
Hand in a window
(carefully to
and fro moving New and
Old things,while
people stare carefully
moving a perhaps
fraction of flower here placing
an inch of air there) and
without breaking anything.
e.e.cummings
(img. Katsumi Komagata, Little Tree, daqui)
sexta-feira, 19 de março de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
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