"you can never hold back spring
you can be sure I will never
stop believing
the blushing rose will climb
spring ahead or fall behind
winter dreams the same dream
every time(...)"
Once I spoke the language of the flowers,
Once I understood each word the caterpillar said,
Once I smiled in secret at the gossip of the starlings,
And shared a conversation with the housefly
in my bed.
Once I heard and answered all the questions
of the crickets,
And joined the crying of each falling dying
flake of snow,
Once I spoke the language of the flowers. . . .
How did it go?
How did it go?
Migrando tem duas capas, dois pontos de partida, mas é indiferente por onde se começa a viagem. Neste livro, aves e pessoas cruzam os céus. Fazem as malas, abrem as asas e lançam-se à aventura…
Dedicada aos que deixaram a sua terra para re-existirem noutro lugar, esta história sem palavras e de imagens poéticas, mostra como a palavra migrante pode ser sinónimo de sofrimento e fragilidade, mas também de coragem e futuro.
Um livro habitado pelo oceano, que separa e une terras e destinos. Um livro de desenhos, no qual cada leitor re-inventa a própria história.
Mariana Chiesa Mateos nasceu na Argentina e vive actualmente em Itália. Dedica-se à pintura, gravura e ilustração. A infância, o desejo, a perda são temas recorrentes no trabalho desta artista, que tem participado em diversas mostras internacionais e colaborado com editoras como a Media Vaca, na qual publicou os títulos No hay Tiempo para Jugar (ilustrações seleccionadas pelo júri da Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha 2003) e Mis Primeras 80.000 Palabras (obra colectiva).
o cartaz da Madalena Matoso para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil é muito bonito, e o desafio lançado pela DGLB muito tentador. Sugestões de livros com bicho aqui.
Antes de se aprender a ler aprende-se a brincar. E a cantar. Eu e os meninos da minha terra entoávamos esta cantiga quando ainda não sabíamos ler. Juntávamo-nos na rua, fazendo uma roda e, ao despique com as vozes dos grilos no Verão, cantávamos uma e outra vez a impotência do barquinho que não sabia navegar.
Às vezes construíamos barquinhos de papel, íamos pô-los nos charcos e os barquinhos desfaziam-se sem conseguirem alcançar nenhuma costa.
Eu também era um barco pequeno fundeado nas ruas do meu bairro. Passava as tardes numa açoteia vendo o sol esconder-se à hora do poente, e pressentia na lonjura – não sabia ainda se nos longes do espaço, se nos longes do coração – um mundo maravilhoso que se estendia para lá do que a minha vista alcançava.
Por detrás de umas caixas, num armário da minha casa, também havia um livro pequenino que não podia navegar porque ninguém o lia. Quantas vezes passei por ele, sem me dar conta da sua existência! O barco de papel, encalhado na lama; o livro solitário, oculto na estante, atrás das caixas de cartão.
Um dia, a minha mão, à procura de alguma coisa, tocou na lombada do livro. Se eu fosse livro, contaria a coisa assim: «Certo dia, a mão de um menino roçou na minha capa e eu senti que as minhas velas se desdobravam e eu começava a navegar».
Que surpresa quando, por fim, os meus olhos tiveram na frente aquele objecto! Era um pequeno livro de capa vermelha e marca-de-água dourada. Abri-o expectante como quem encontra um cofre e ansioso por conhecer o seu conteúdo. E não era para menos. Mal comecei a ler, compreendi que a aventura estava servida: a valentia do protagonista, as personagens bondosas, as malvadas, as ilustrações com frases em pé-de-página que observava uma e outra vez, o perigo, as surpresas…, tudo isso me transportou a um mundo apaixonante e desconhecido.
Desse modo descobri que para lá da minha casa havia um rio, e que atrás do rio havia um mar e que no mar, à espera de partir, havia um barco. O primeiro em que embarquei chamava-se Hispaniola, mas teria sido igual se se chamasse Nautilus, Rocinante, a embarcação de Sindbad ou a jangada de Huckleberry. Todos eles, por mais tempo que passe, estarão sempre à espera de que os olhos de um menino desamarrem as suas velas e os façam zarpar.
É por isso que… não esperes mais, estende a tua mão, pega num livro, abre-o, lê: descobrirás, como na cantiga da minha infância, que não há barco, por pequeno que seja, que em pouco tempo não aprenda a navegar.
ELIACER CANSINO
Tradução: José António Gomes
a International Board on Books for Young People (IBBY) divulga anualmente uma mensagem de incentivo à leitura dirigida às crianças de todo o mundo. difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil), Secção Portuguesa do IBBY.
Este ano coube ao escritor espanhol Eliacer Cansino a redacção da mensagem. O cartaz do IBBY é da autoria da ilustradora Noemí Villamuza.
"I cannot go to school today", Said little Peggy Ann McKay." "I have the measles and the mumps, A gash, a rash and purple bumps. My mouth is wet, my throat is dry, I'm going blind in my right eye. My tonsils are as big as rocks, I've counted sixteen chicken pox And there's one more-that's seventeen, And don't you think my face looks green? My leg is cut-my eyes are blue- It might be instamatic flu. I cough and sneeze and gasp and choke, I'm sure that my left leg is broke- My hip hurts when I move my chin, My belly button's caving in, My back is wrenched, my ankle's sprained, My 'pendix pains each time it rains. My nose is cold, my toes are numb. I have a sliver in my thumb. My neck is stiff, my voice is weak, I hardly whisper when I speak. My tongue is filling up my mouth, I think my hair is falling out. My elbow's bent, my spine ain't straight, My temperature is one-o-eight. My brain is shrunk, I cannot hear, There is a hole inside my ear. I have a hangnail, and my heart is-what? What's that? What's that you say? You say today is...Saturday? G'bye, I'm going out to play!"
foi uma das pérolas que deixou doçura no sorriso de algumas meninas; confessei-lhes que me fazia pensar na saudade que tenho da minha mãe e que por isso gostava muito desta ilustração. ficámos ali a falar da gentileza do traço, da sua simplicidade, à espreita de outros sentidos. à noite, fiquei a saber que a autora, a ilustradora belga Kitty Crowther, tinha sido a galardoada do Astrid Lindgren Memorial Award (ALMA), prémio instituído a partir de 2002, em memória de uma das mais famosas escritoras suecas Astrid Lindgren (1907-2002), a criadora da famosa "Pipi das Meias Altas". (mais sobre Kitty Crowther aqui)
Um velho mágico que aposta almas com o diabo, a sua filha , um anão, um aprendiz... e a possibilidade de criar todas as ilusões (também a de Heath Ledger ainda andar por cá) que o teatro permite. A chegada esta semana do novo filme de Terry Gilliam, The Imaginarium of Doctor Parnassus, recordou-me o gosto com que visito os teatrinhosde papel da dedicada coleccionadora Lucia Contreras Flores e da fantasia que esses palcos permitem, sem recurso a óculos especiais. Este é mesmo o meu tipo de 3D favorito.
Spring is like a perhaps hand
(which comes carefully
out of Nowhere) arranging
a window, into which people look (while
people stare
arranging and changing placing
carefully there a strange
thing and a known thing here) and
changing everything carefully
spring is like a perhaps
Hand in a window
(carefully to
and fro moving New and
Old things,while
people stare carefully
moving a perhaps
fraction of flower here placing
an inch of air there) and
Entre deux vers
D'un long poème
D'un poème fort ennuyeux
La cédille aux yeux de verveine
qui nattait ses jolis cheveux
rencontra l'accent circonflexe
Curieuse quoiqu'un peu perplexe
Sans moi vous l'eussiez deviné
Elle lui dit pour commencer
Quel bizarre chapeau que le vôtre
Seriez-vous par hasard gendarme ou polytechnicien
Et que faites-vous donc sur le front des apôtres
Est-ce vous la colombe ou la fumée du train
Je suis je suis gentille cédille
Le S escamoté des mots de l'autrefois
C'est à l'hostellerie qu'on emmenait les filles
Le S a disparu me voici sur le toit
Et toi que fais-tu cédille
A traîner derrière les garçons
Sont-ce là d'honnêtes façons
N'es-tu point de bonne famille
Accent bel accent circonflexe
Voilà toute ma vérité
Je t'aime et pour te le prouver
Numa certa conta havia
um zero dado à poesia
que tinha um sonho secreto:
fugir para o alfabeto.
Sonhava tornar-se um O
nem que fosse um dia só,
ou ainda menos: só
o tempo de dizer: «Oh!»
(Nos livros e nas selectas
o que mais o comovia
eram os «Ohs!» que os poetas
metiam nas poesias!)
Um «Oh!» lírico & profundo,
um só «Oh!» lhe bastaria
para ele dizer ao mundo
o que na alma lhe ia!
E o que na alma lhe ia!
Sonhos de glórias, esperanças,
ânsias, melancolia,
recordações de criança;
além de um grande vazio
de tipo existencial
e de uma caixa que o tio
lhe pedira para guardar;
e ainda as chaves do carro
e uma máscara de entrudo...
Não tinha bolsos, coitado,
guardava na alma tudo!
A alma! Como queria gritá-la num «Oh!» sincero! Mas não passava de um zero que, oh!, não se pronuncia... Daí que andasse doente de grave doença poética e em estado permanente de ansiedade alfabética. E se indignasse & etc. contra o destino severo que fizera dele um zero com uma alma de letra! Tanta ambição desmedida, tanto sonho feito pó! E aquele zero dava a vida para poder dizer «Oh!»... Manuel António Pina
(uma interessante entrevista com o autor pode ser lida aqui)
(There was an old lady who swallowed a fly.
I don't know why she swallowed the fly,
I guess she'll die. There was an old lady who swallowed a spider,
that wiggled and wiggled and tickled inside her.
She swallowed the spider to catch the fly.
I don't know why she swallowed the fly.
I guess she'll die. There was an old lady who swallowed a bird.
How absurd to swallow a bird.
She swallowed the bird to catch the spider,
that wiggled and wiggled and tickled inside her.
She swallowed the spider to catch the fly.
I don't know why she swallowed the fly.
I guess she'll die. There was an old lady who swallowed a cat.
Imagine that, she swallowed a cat.
She swallowed the cat to catch the bird.
She swallowed the bird to catch the spider,
that wiggled and wiggled and tickled inside her.
She swallowed the spider to catch the fly.
I don't know why she swallowed the fly.
I guess she'll die. There was an old lady who swallowed a dog.
My what a hog, to swallow a dog.
She swallowed the dog to catch the cat.
She swallowed the cat, to catch the bird,
She swallowed the bird to catch the spider,
that wiggled and wiggled and tickled inside her.
She swallowed the spider to catch the fly.
I don't know why she swallowed the fly.
I guess she'll die. There was an old lady who swallowed a cow.
I don't know how she swallowed a cow.
She swallowed the cow to catch the dog.
She swallowed the dog, to catch the cat.
She swallowed the cat to catch the bird.
She swallowed the bird to catch the spider,
that wiggled and wiggled and tickled inside her.
She swallowed the spider to catch the fly.
I don't know why she swallowed the fly
I guess she'll die. I know an old lady who swallowed a horse... She's dead of course!)