sábado, 20 de março de 2010

Spring is like a perhaps























Spring is like a perhaps hand
(which comes carefully
out of Nowhere) arranging
a window, into which people look (while 
people stare
arranging and changing placing
carefully there a strange
thing and a known thing here) and

changing everything carefully

spring is like a perhaps
Hand in a window
(carefully to
and fro moving New and
Old things,while
people stare carefully
moving a perhaps
fraction of flower here placing
an inch of air there) and

without breaking anything. 

e.e.cummings
(img. Katsumi Komagata, Little Tree, daqui)

terça-feira, 16 de março de 2010

Je fais un S avec un C



L’accent circonflexe et la petite cédille
Entre deux vers
D'un long poème
D'un poème fort ennuyeux
La cédille aux yeux de verveine
qui nattait ses jolis cheveux
rencontra l'accent circonflexe
Curieuse quoiqu'un peu perplexe
Sans moi vous l'eussiez deviné
Elle lui dit pour commencer
Quel bizarre chapeau que le vôtre
Seriez-vous par hasard gendarme ou polytechnicien
Et que faites-vous donc sur le front des apôtres
Est-ce vous la colombe ou la fumée du train
Je suis je suis gentille cédille
Le S escamoté des mots de l'autrefois
C'est à l'hostellerie qu'on emmenait les filles
Le S a disparu me voici sur le toit
Et toi que fais-tu cédille
A traîner derrière les garçons
Sont-ce là d'honnêtes façons
N'es-tu point de bonne famille
Accent bel accent circonflexe
Voilà toute ma vérité
Je t'aime et pour te le prouver 
Je fais un S avec un C
Jean-Pierre Rosnay

a interjeição


A triste história do zero poeta
Numa certa conta havia
um zero dado à poesia
que tinha um sonho secreto:
fugir para o alfabeto.

Sonhava tornar-se um O
nem que fosse um dia só,
ou ainda menos: só
o tempo de dizer: «Oh!»

(Nos livros e nas selectas
o que mais o comovia
eram os «Ohs!» que os poetas
metiam nas poesias!)

Um «Oh!» lírico & profundo,
um só «Oh!» lhe bastaria
para ele dizer ao mundo
o que na alma lhe ia!

E o que na alma lhe ia!
Sonhos de glórias, esperanças,
ânsias, melancolia,
recordações de criança;

além de um grande vazio
de tipo existencial
e de uma caixa que o tio
lhe pedira para guardar;

e ainda as chaves do carro
e uma máscara de entrudo...
Não tinha bolsos, coitado,
guardava na alma tudo!
A alma! Como queria
gritá-la num «Oh!» sincero!
Mas não passava de um zero
que, oh!, não se pronuncia...
Daí que andasse doente
de grave doença poética
e em estado permanente
de ansiedade alfabética.
E se indignasse & etc.
contra o destino severo
que fizera dele um zero
com uma alma de letra!
Tanta ambição desmedida,
tanto sonho feito pó!
E aquele zero dava a vida
para poder dizer «Oh!»...

  
Manuel António Pina





Pequeno Livro da Desmatemática
Manuel António Pina
ilustrado por Pedro Proença
Assírio e Alvim

sexta-feira, 12 de março de 2010

mundo vegetal

































 Two Friends
Hoda Haddadi
SHABAVIZ PUBLISHING – Tehran, Iran
menção New Horizons em Bolonha 
(img. daqui)

sábado, 6 de março de 2010

fintar o tempo


Une minute encore

J’ai dormi une minute,
soixante secondes de papillon,
et pendant cette minutte,
j’ai rêvé mille fois.
Bien sûr, ce n’étaient,
que des poussières de rêve,
sur le ailles vite envollées,
soixante secondes de papillon,
pas le temps d’une chançon,
mille poussières de rêve,
mais il faudrait des siècles,
pour te dire comment elles brillaient.




Petits Poèmes pour passer le temps
poemas de Carl Norac
ilustrados por Kitty Crow­ther
Didier Jeunesse, 2009 

sexta-feira, 5 de março de 2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

ryme design

THERE WAS AN OLD LADY 
WHO SWALLOWED A FLY
Jeremy Holmes
(procurá-lo aqui e aqui)
editora Chronicle Books
vencedor na categoria Opera Prima em Bolonha 2010
(uma interessante entrevista com o autor pode ser lida aqui)

(There was an old lady who swallowed a fly.
I don't know why she swallowed the fly,
I guess she'll die.

There was an old lady who swallowed a spider,
that wiggled and wiggled and tickled inside her.
She swallowed the spider to catch the fly.
I don't know why she swallowed the fly.
I guess she'll die.

There was an old lady who swallowed a bird.
How absurd to swallow a bird.
She swallowed the bird to catch the spider,
that wiggled and wiggled and tickled inside her.
She swallowed the spider to catch the fly.
I don't know why she swallowed the fly.
I guess she'll die.

There was an old lady who swallowed a cat.
Imagine that, she swallowed a cat.
She swallowed the cat to catch the bird.
She swallowed the bird to catch the spider,
that wiggled and wiggled and tickled inside her.
She swallowed the spider to catch the fly.
I don't know why she swallowed the fly.
I guess she'll die.

There was an old lady who swallowed a dog.
My what a hog, to swallow a dog.
She swallowed the dog to catch the cat.
She swallowed the cat, to catch the bird,
She swallowed the bird to catch the spider,
that wiggled and wiggled and tickled inside her.
She swallowed the spider to catch the fly.
I don't know why she swallowed the fly.
I guess she'll die.

There was an old lady who swallowed a cow.
I don't know how she swallowed a cow.
She swallowed the cow to catch the dog.
She swallowed the dog, to catch the cat.
She swallowed the cat to catch the bird.
She swallowed the bird to catch the spider,
that wiggled and wiggled and tickled inside her.
She swallowed the spider to catch the fly.
I don't know why she swallowed the fly
I guess she'll die.

I know an old lady who swallowed a horse...
She's dead of course!)


terça-feira, 2 de março de 2010

desejos



 
 The Riverbank
Charles Darwin, ilustrado por Fabian Negrin


  
 
 
Copyright © Emilie Vast - Éd.Mémo, 2009 / Extraits de L'herbier d'Emilie Vast
L' Herbier
Emilie Vast
(site de Emilie Vast)


  

 

Little Tree,  Katsumi Komagata

à primeira vista, estes são os que eu mais queria ter... e mais estes todos! (bom mesmo era voar para )

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

outras Alices


 
Peter Newell, 1901


 
  
Harry Rountree, 1908


  
Dusan Kallay, 1991



(escolhidas aqui)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

contrariar os tempos

O que preciso criar desassossego
«Mas o que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a procurar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado!»
«Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherzinhas’. Temos é que ser gente, pá!»
Excertos de uma entrevista publicada originalmente no semanário Se7e de 27.11.1985
Republicada em Zeca Afonso: As Voltas de um Andarilho, edição aumentada, 1999 (daqui ; img. daqui

O que preciso criar desassossego

Zeca Afonso - O Andarilho da Voz de Ouro
José Jorge Letria, ilustrações de Evelina Pereira
Campo das Letras

domingo, 21 de fevereiro de 2010

pioggia



"Racconto storie con il disegno e so che è un privilegio perché quello di raccontare è il più bel mestiere del mondo" Gek Tessaro

sábado, 20 de fevereiro de 2010

once upon a time...

um lobo pintor, uma mãe-cabra e sete cabritinhos, esperam-nos a partir de hoje n´O Bichinho de Conto;
oportunidade para apreciar a delicada e intrigante interpretação deste conto tradicional proposta pelas ilustrações de Teresa Lima, artista seleccionada da Ilustrarte deste ano e Prémio Nacional de Ilustração em 1998 e 2006.



Os sete cabritinhos 
Tareixa Alonso (texto) 
Teresa Lima (ilustração)
OQO editora

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

boskein


 
acabada de chegar de uma visita de estudo aqui, ainda a sonhar com um mundo perfeito de raízes, troncos, folhas e frutos, o bolso inchado de sementes e a respirar melhor, encontrei este desafio da Bruaá. apeteceu-me ir já amanhã.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

behind fabrics

a propósito da recente polémica gaulesa sobre o uso da burqa e do niqab, lembrei-me do dramatismo do silêncio destas mulheres:



elas têm mãos delicadas,


olhares minúsculos
































tecidos maravilhosos a cobrir-lhes a pele.


















confesso que estas mulheres das mil e uma noites pintadas por Carll Cneut me deslumbram, mesmo se a sua invisibilidade me deixa apreensiva.
















Um segredo para crescer
Edições Kual

sábado, 13 de fevereiro de 2010

três poetas*



















COMO PINTAR UM PÁSSARO
Pinte primeiro uma gaiola
com a porta aberta.
Em seguida pinte
alguma coisa graciosa,
alguma coisa simples,
alguma coisa bonita,
alguma coisa útil...
ao pássaro.
Depois, coloque a tela contra uma árvore
no jardim,
no bosque
ou na floresta
e esconda-se
atrás da árvores
em dizer nada, sem se mexer.
Às vezes o pássaro chega logo,
mas pode levar muitos, muitos anos
até se resolver.
Não desanime,
espere.
Espere, se preciso, durante anos.
A velocidade ou a lentidão da chegada
do pássaro, não tem a menor relação
com a qualidade da pintura.
Quando ele chegar
(se chegar)
mantenha o mais profundo silêncio,
espere que ele entre na gaiola.
Depois que entrar,
feche lentamente a porta com o pincel.
Aí então
apague uma por uma todas as varetas.
(Cuidado para não esbarrar em nenhuma pena
do pássaro.)
Finalmente pinte a árvore,
reservando o mais belo de seus ramos
ao pássaro.
Pinte também a verde folhagem e a doçura do
vento,
a poeira do sol,
o rumorejo dos bichinhos da relva no calor da
estação.
Depois aguarde que o pássaro se decida a
cantar.
Se ele não cantar,
mau sinal:
sinal de que o quadro não presta.
Mas bom sinal, se ele canta:
sinal de que você pode assinar o quadro.
Então retire suavemente
uma pena do pássaro
e escreva o seu nome a um canto do quadro.


Jacques Prévert, tradução de Carlos Drummond de Andrade 
*(obrigada pela correcção, Miguel)
(poema encontrado aqui , ilustração de Wolf Erlbruch do livro "The King and the sea" encontrada ontem na Ilustrarte; fotografias da Lena)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ilustrarte


É já amanhã pelas 21.30h que inaugura no Museu da Electricidade a 4ª edição da Ilustrarte, Bienal de Ilustração para a Infância. Em exposição estarão as 150 ilustrações seleccionadas do conjunto de trabalhos de 1400 ilustradores de 61 países.
A vencedora desta edição foi a ilustradora belga Isabelle Vanderabeele que já havia participado na Ilustrarte de 2003 e recebido menções especiais nas edições de 2005 e 2007.
O trabalho desta autora assenta sobretudo em ilustrações impressas a partir de gravuras minuciosamente esculpidas em madeira, as xilogravuras, e as agora premiadas, integram o livro "Voorspel va Een Gebroke Liefde", escrito por Geert Kockere e editado na Bélgica pela Medaillon; recebeu em França o título "Prélude a un amour brisé" (Éditions du Rouergue).

 

O júri atribuiu ainda duas menções especiais aos trabalhos do ilustrador francês Martin Jarrie (menção especial na edição de 2007) e à dupla italiana Alessandro Lecis e Alessandra Panzeri.



A lista dos ilustradores seleccionados inclui os portugueses Daniel Lima, Teresa Lima, André Letria, Ana Sofia Gonçalves, João Vaz de Carvalho e Gémeo Luís. 
A Ilustrarte propõe ainda um olhar pela obra da escritora Luísa Ducla Soares e uma exposição retrospectiva do ilustrador alemão
Wolf Elbruch.
Um programa e tanto, não é?
(mais informação aqui)

Ilustrarte 2009
Museu da Electricidade
Av. de Brasília, Central Tejo
1300-598 Lisboa, Portugal  

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Tati revisited

 

 
"L'Illusionniste"

a segunda longa-metragem do francês Sylvain Chromet (Belleville Rendez-Vous, La Vieille Dame et les Pigeons) estreia esta semana no Festival de Cinema de Berlim, envolto numa polémica com contornos de "história de um segredo".
(ler mais aqui)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

é coisa de quem leu o Torga

Fernando Alves falava assim há uns dias, de "um chão seguro e antigo", num belíssimo texto, verdadeira terapia contra a aridez.


"Aldeias Sonoras é um projecto educativo da Binaural de mapeamento sonoro de zonas rurais portuguesas, em paralelo com o seu levantamento geográfico, histórico e sócio-cultural. O projecto envolverá escolas básicas e secundárias de zonas rurais de diversas regiões de Portugal, começando uma fase-piloto no ano lectivo 2008-2009 na zona de S. Pedro do Sul e da Serra do Montemuro, pela sua proximidade ao Centro de Residências Artísticas de Nodar (S. Pedro do Sul) e pelo conhecimento profundo que os autores do projecto têm da sua diversidade paisagística e humana.


O projecto pretende evidenciar a riqueza sonora do mundo rural português e a necessidade de o registar, envolvendo crianças e jovens nessa descoberta, promovendo em paralelo o sentido de identidade, de diversidade e de orgulho em viver no campo.


“Aldeias Sonoras” envolverá uma série de módulos de aprendizagem teórico-prática, com o objectivo de dotar os alunos de conhecimentos de tecnologias de registo e edição de sons, utilização de blogs para a organização e distribuição de informação, associando cada etapa do projecto a diversas disciplinas curriculares (nas áreas da arte, história, cidadania, geografia, tecnologias de informação, etc.)."

(título do post roubado aos Sinais)